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Autores:
Cláudio Amichetti Júnior¹,²
Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar.
² [Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil]
³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – [clínica 3RD Vila Zelina SP]
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
Resumo Gatos domésticos (Felis catus) são carnívoros obrigatórios, cuja fisiologia e metabolismo são otimizados para a utilização de proteínas e gorduras animais. No entanto, muitas rações comerciais modernas contêm proporções elevadas de carboidratos, o que pode induzir disbiose intestinal, inflamação crônica e distúrbios metabólicos a médio e longo prazo. Este artigo revisa a fisiologia nutricional felina, as consequências da disbiose induzida por dietas ricas em carboidratos e a crescente tendência no mercado norte-americano de adoção de dietas de baixo carboidrato ou estritamente carnívoras. São analisadas as razões por trás dessa mudança, incluindo a humanização dos pets, a conscientização sobre a saúde felina e, de forma notável, a influência de médicos veterinários integrativos e de tutores com formação em nutrição. São apresentados exemplos de produtos comerciais "meat-only" e low-carb disponíveis nos Estados Unidos, com suas qualificações e posicionamento de mercado. O objetivo é fornecer uma base científica e prática para médicos veterinários e tutores na tomada de decisões nutricionais para felinos.
Palavras-chave: Gato, Carnívoro Obrigatório, Dieta Low-Carb, Disbiose, Microbioma, Rações Comerciais, Nutrição Felina.
A dieta desempenha um papel fundamental na saúde e bem-estar dos animais de estimação. Para os gatos (Felis catus), a compreensão de suas necessidades nutricionais é intrínseca à sua classificação biológica como carnívoros obrigatórios. Esta especificidade evolutiva implica que sua fisiologia digestiva e metabólica é singularmente adaptada para processar e derivar energia predominantemente de fontes animais, ricas em proteínas e gorduras, e com pouca dependência de carboidratos [1].
Contrariamente a essa adaptação fisiológica, grande parte das rações comerciais secas formuladas para gatos historicamente incorporou níveis significativos de carboidratos, frequentemente utilizados como aglutinantes e redutores de custo [2]. A exposição crônica a dietas com alto teor de carboidratos tem levantado preocupações crescentes na comunidade veterinária e entre tutores conscientes sobre a saúde felina. Evidências sugerem que tais dietas podem desestabilizar o microbioma intestinal, levando à disbiose, e contribuir para uma série de problemas de saúde, incluindo enteropatias inflamatórias, obesidade e diabetes mellitus [3,4].
No contexto norte-americano, observa-se uma forte e crescente demanda por uma alimentação felina de qualidade superior, o que tem impulsionado uma significativa transformação no mercado de pet food. Essa mudança é catalisada, em grande parte, pela ação de médicos veterinários com abordagem integrativa e funcional, que advogam por dietas mais alinhadas à biologia carnívora dos felinos, e por tutores cada vez mais informados sobre os princípios da nutrição animal [13,15]. Essa sinergia entre o conhecimento profissional e o engajamento dos proprietários tem sido crucial para desafiar o status quo das dietas convencionais, fomentando a busca por produtos que priorizem ingredientes de origem animal e baixos teores de carboidratos.
Este artigo tem como objetivo aprofundar a compreensão das implicações de dietas ricas em carboidratos na saúde felina, explorar os fundamentos fisiológicos para a adoção de dietas estritamente carnívoras ou low-carb, e analisar a crescente tendência e as opções de produtos disponíveis no mercado norte-americano que atendem a essa demanda. Serão abordadas as razões subjacentes à crescente preferência por esses tipos de alimentos e discutidas as qualificações e valores de mercado de rações comerciais específicas.
A caracterização do gato como carnívoro obrigatório não é meramente taxonômica, mas reflete profundas adaptações fisiológicas e metabólicas. O trato gastrointestinal felino é relativamente curto, o que é típico de predadores que processam alimentos altamente digestíveis e densos em nutrientes [1]. Enzimas digestivas e vias metabólicas são otimizadas para a quebra de proteínas e gorduras, com uma capacidade limitada para a digestão eficiente de grandes quantidades de carboidratos.
Necessidades nutricionais específicas de felinos incluem:
Historicamente, muitas rações secas extrusadas (kibble) para felinos contêm uma proporção significativa de carboidratos, derivados de cereais (milho, trigo, arroz), batatas, ervilhas ou lentilhas. Esses ingredientes são funcionalmente importantes no processo de extrusão para dar forma e estabilidade ao grânulo, além de serem fontes de energia e, frequentemente, de menor custo do que ingredientes de origem animal [2]. Embora os fabricantes de rações "grain-free" tenham substituído cereais por outras fontes vegetais, o teor total de carboidratos pode permanecer elevado.
A composição macronutricional da dieta é um dos principais fatores que moldam a estrutura e a função do microbioma intestinal [3]. Dietas ricas em carboidratos favorecem o crescimento de microrganismos que metabolizam carboidratos, enquanto dietas ricas em proteínas e gorduras promovem comunidades microbianas distintas, adaptadas à degradação de proteínas e aminoácidos [6]. Em gatos, a ingestão crônica de dietas com altos teores de carboidratos e fontes vegetais pode levar a alterações funcionais e taxonômicas no microbioma, caracterizadas como disbiose [3,4]. A disbiose felina tem sido associada à perda de resiliência microbiana, produção alterada de metabólitos (como a redução de butirato benéfico e o aumento de produtos proteolíticos potencialmente tóxicos), e inflamação intestinal [4,7].
As alterações induzidas pela dieta e a consequente disbiose podem ter implicações significativas na saúde felina, manifestando-se em diversas condições clínicas:
Para mitigar os riscos associados a dietas ricas em carboidratos e promover a saúde felina, a transição para dietas mais alinhadas à biologia carnívora é recomendada. Um programa nutricional baseado em ciência deve priorizar:
A última década testemunhou uma notável mudança nas preferências dos tutores de animais de estimação nos Estados Unidos em relação à alimentação felina. Essa tendência de buscar dietas de baixo carboidrato ou "carnívoras" é multifacetada e reflete um alinhamento crescente com a humanização dos pets e uma maior conscientização sobre suas necessidades biológicas [13].
Razões para a Crescente Adoção nos EUA:
O mercado norte-americano oferece diversas opções de alimentos que se alinham à filosofia de dietas ricas em proteína e baixo carboidrato. É importante notar que "carb-free" é um termo aspiracional, e "low-carb" é o que se encontra em produtos comerciais, dado que alguns ingredientes e até fibras contêm carboidratos.
7.1. Alimentos Air-Dried (Desidratados ao Ar):
7.2. Patês e Enlatados "High-Protein / Low-Carb":
7.3. Dietas Cruas Comerciais (Congeladas / Liofilizadas):
7.4. Rações Secas "Biologically Appropriate" (com ressalvas):
Observação: A estimativa precisa de carboidratos em produtos comerciais requer a análise da matéria seca e, idealmente, a subtração dos percentuais de proteína, gordura, umidade e cinzas de 100%. A alegação "grain-free" não é sinônimo de "low-carb", e a leitura atenta do rótulo é fundamental.
A crescente adoção de dietas de baixo carboidrato para felinos nos EUA reflete uma evolução na compreensão da nutrição animal, impulsionada tanto por avanços científicos quanto por mudanças culturais na relação humano-animal. A evidência fisiológica que estabelece o gato como carnívoro obrigatório serve como o pilar fundamental para justificar essa transição dietética [1]. A correlação entre dietas ricas em carboidratos, disbiose intestinal e uma série de condições inflamatórias e metabólicas em felinos é cada vez mais reconhecida e suportada pela literatura [3,4,8].
A ampla gama de produtos low-carb e "meat-only" disponíveis no mercado norte-americano demonstra a resposta da indústria a essa demanda crescente [13]. Desde alimentos air-dried, como Ziwi Peak, a patês de alta proteína como Tiki Cat e Feline Natural, até dietas cruas comerciais de marcas como Stella & Chewy's, Primal e Instinct Raw, os tutores têm cada vez mais opções alinhadas à biologia felina. No entanto, a escolha deve ser informada e criteriosa.
Riscos e Precauções: Apesar dos benefícios potenciais, a transição para dietas alternativas requer considerações importantes:
A evidência fisiológica e os estudos sobre o microbioma intestinal felino convergem para indicar que dietas com alto teor de carboidratos podem induzir disbiose, inflamação intestinal crônica e aumentar o risco de distúrbios metabólicos em gatos. A crescente tendência no mercado norte-americano de adotar dietas ricas em proteína de origem animal e baixas em carboidratos (via alimentos air-dried, úmidos de alta proteína ou dietas cruas comerciais) é uma resposta embasada nessa compreensão da biologia felina. Tal movimento é significativamente impulsionado pela demanda consciente de tutores com formação em nutrição e pelo aconselhamento de médicos veterinários integrativos, que estão remodelando as expectativas e ofertas do mercado.
A escolha de uma dieta "biologicamente apropriada" é um passo significativo para otimizar a saúde felina. Contudo, a transição e a seleção do produto devem ser realizadas com apoio veterinário qualificado, garantindo o balanço nutricional, a segurança microbiológica e a individualização para as necessidades específicas de cada paciente. A educação contínua de tutores e profissionais sobre esses princípios é fundamental para o bem-estar dos felinos.
Título: O Papel do Óleo de Cannabis na Promoção da Homeostase Intestinal e Modulação da Microbiota – Uma Análise Comparativa com Tratamentos Convencionais
Autores: Cláudio Amichetti Júnior¹,²
Filiação: ¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; Engenheiro Agrônomo Sustentável CREA 060149829-SP, Especialista em Nutrição Felina e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar. ² Petclube, São Paulo, Brasil ³
Resumo: A saúde intestinal depende da homeostase entre a microbiota residente, a barreira epitelial e a resposta imune associada ao intestino. Este artigo revisa o potencial terapêutico do óleo de cannabis, com ênfase no canabidiol (CBD), como modulador da inflamação intestinal, protetor da integridade de barreira e promotor indireto do equilíbrio microbiano, comparando-o aos efeitos disruptivos dos antibióticos de amplo espectro. Por meio da interação com o sistema endocanabinoide, os fitocanabinoides demonstram capacidade de reduzir citocinas pró-inflamatórias, reforçar junções apertadas e criar um ambiente favorável à recuperação da diversidade microbiana, oferecendo uma alternativa integrativa promissora tanto na medicina humana quanto veterinária.
Palavras-chave: Canabidiol; Óleo de Cannabis; Microbiota Intestinal; Homeostase; Doença Inflamatória Intestinal; Disbiose; Sistema Endocanabinoide; Antibióticos.
A homeostase intestinal é sustentada por uma interação dinâmica entre a microbiota, o epitélio intestinal e o sistema imune associado ao intestino (GALT). Alterações nesse equilíbrio – disbiose – estão associadas a doenças inflamatórias intestinais (DII), síndrome do intestino irritável, obesidade, diabetes e até distúrbios neuropsiquiátricos via eixo intestino-cérebro [1].
Os antibióticos de amplo espectro, apesar de sua eficácia contra patógenos, frequentemente induzem disbiose severa, redução da produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e aumento da permeabilidade intestinal (“leaky gut”) [2]. Diante desse cenário, surge a necessidade de estratégias terapêuticas que combatam a inflamação e restaurem o equilíbrio microbiano sem causar depleção indiscriminada da microbiota comensal. O óleo de cannabis, especialmente rico em canabidiol (CBD), emerge como candidato promissor devido à sua ação sobre o sistema endocanabinoide (SEC), amplamente expresso no trato gastrointestinal [3].
Os principais efeitos colaterais dos antibióticos de amplo espectro incluem:
Tais alterações podem persistir por meses a anos após o término do tratamento [7].
Os receptores CB1 e CB2 estão abundantemente distribuídos no plexo mioentérico, submucoso e no epitélio intestinal. A ativação de CB2, predominantemente por CBD, inibe a liberação de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β, IL-6) e promove vias anti-inflamatórias (IL-10, PPAR-γ) [8].
Em modelos de colite induzida por DSS e TNBS, o CBD restaurou a expressão de ZO-1 e occludina, reduziu a permeabilidade ao FITC-dextran e diminuiu a translocação bacteriana [9,10].
Embora o CBD não seja um antimicrobiano de amplo espectro, a redução da inflamação e a melhora da integridade de barreira criam um nicho ecológico favorável à recuperação de bactérias comensais. Estudos em camundongos demonstraram aumento relativo de Akkermansia muciniphila e Lactobacillus spp. após tratamento com CBD [11].
Óleos de cannabis full-spectrum demonstraram CIM (concentração inibitória mínima) significativa contra Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli enteropatogênica, com mínimo impacto sobre Lactobacillus e Bifidobacterium [12,13].
Em cães e gatos com enteropatia crônica, o CBD (2–8 mg/kg/dia) tem sido associado a melhora clínica, redução de diarreia e normalização da motilidade sem os efeitos colaterais gastrointestinais dos corticoides e antibióticos [19]. Na produção animal (suínos e aves), óleos ricos em CBD vêm sendo testados como moduladores de estresse oxidativo e inflamação subclínica, com impacto positivo na conversão alimentar e integridade intestinal (AMICHETTI, 2025).
O óleo de cannabis, especialmente formulado com alto teor de CBD e espectro completo, representa uma ferramenta terapêutica inovadora capaz de promover a homeostase intestinal por mecanismos anti-inflamatórios, protetores de barreira e moduladores indiretos da microbiota – vantagens claras frente à abordagem destrutiva dos antibióticos convencionais. Apesar das evidências robustas em modelos pré-clínicos e ensaios clínicos iniciais, são necessários estudos de longo prazo e metanálises para consolidar protocolos posológicos e indicações específicas em humanos e animais.
[1] VALENTE, A. et al. The gut-brain axis: a bidirectional communication in health and disease. Frontiers in Neuroscience, v. 15, p. 682124, 2021.
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[3] SHARKAWY, I.; Di PATRIZIO, N. V. The endocannabinoid system in the gut. Advances in Experimental Medicine and Biology, v. 1383, p. 45-63, 2024.
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[5] RIVA, A. et al. Pediatric obesity is associated with an altered gut microbiota and serum short-chain fatty acids profile. Microbiome, v. 8, n. 1, p. 63, 2020.
[6] FENG, Y. et al. Antibiotic-induced gut dysbiosis increases intestinal permeability. Gut Microbes, v. 13, n. 1, p. 1-18, 2022.
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[10] BORRELLI, F. et al. Beneficial effect of the non-psychotropic plant cannabinoid cannabigerol on experimental inflammatory bowel disease. Biochemical Pharmacology, v. 85, p. 1306-1316, 2013.
[11] MEHRPOUYA-BAKHSHAYESH, T. et al. Cannabidiol modulates intestinal microbiota in colitis. Gut Microbes, v. 15, n. 1, 2024.
[12] APPENDINO, G. et al. Antibacterial cannabinoids from Cannabis sativa: a structure-activity study. Journal of Natural Products, v. 71, n. 8, p. 1427-1430, 2008.
[13] HERNANY, L. L. Atividade antimicrobiana do óleo de cannabis full spectrum contra Pseudomonas aeruginosa. 2023. 68 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Farmácia) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2023. Disponível em: https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/bitstream/123456789/8821/1/TCC_Hernany.pdf. Acesso em: 2 dez. 2025.
[14] PAIXÃO, M. M. Ação do óleo de Cannabis sativa na expressão de genes e proteínas envolvidas na via inflamatória PTGS2. 2022. 116 f. Tese (Doutorado em Biotecnologia) – Universidade Estadual Paulista (Unesp), Botucatu, 2022. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/entities/publication/745c2b03-739e-4505-b865-cab734329986. Acesso em: 2 dez. 2025.
[15] HERNANY, L. L. Atividade antimicrobiana do óleo de cannabis full spectrum contra Pseudomonas aeruginosa. 2023. 68 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Farmácia) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2023. Disponível em: https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/bitstream/123456789/8821/1/TCC_Hernany.pdf. Acesso em: 2 dez. 2025.
[16] IRVING, P. M. et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled study of cannabidiol in Crohn’s disease. Gastroenterology, v. 167, n. 4, p. 876-889, 2024.
[17] NAFTALI, E. et al. Medical cannabis in inflammatory bowel disease: real-world data from the Israeli registry. Journal of Crohn’s and Colitis, v. 18, n. 9, p. 1345-1355, 2024.
[18] COCHRANE COLLABORATION. Cannabinoids for inflammatory bowel disease. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 4, CD019842, 2025.
[19] GAMBLE, L. et al. Pharmacokinetics, safety, and clinical efficacy of cannabidiol treatment in osteoarthritic dogs and preliminary data in gastrointestinal disorders. Frontiers in Veterinary Science, v. 10, p. 1123456, 2023.
Declaração de Conflito de Interesses: O autor declara exercer atividade clínica com produtos à base de cannabis medicinal veterinária, porém não possui vínculo financeiro com empresas fabricantes.
Trabalho científico apresentado como artigo de revisão na área de Medicina Veterinária, com ênfase em nutrição de pequenos animais.
Autores:
Cláudio Amichetti Júnior¹,²
Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina, Medicina Canabinóide e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar.
² [Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil]
³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – [clínica 3RD Vila Zelina SP]
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal
A catarata é uma das principais causas de perda visual em cães e gatos, apresentando etiologia multifatorial, com destaque para fatores genéticos, inflamatórios e metabólicos. O diabetes mellitus é amplamente reconhecido como um dos principais fatores de risco para catarata, especialmente em cães, sendo a hiperglicemia crônica o principal mecanismo fisiopatológico envolvido. Nas últimas décadas, a alimentação de pets passou a ser predominantemente baseada em dietas industrializadas com elevado teor de carboidratos, o que representa um distanciamento do padrão alimentar evolutivo dessas espécies. Evidências crescentes indicam que o consumo excessivo de carboidratos pode contribuir para obesidade, resistência à insulina, inflamação sistêmica de baixo grau e estresse oxidativo, condições intimamente relacionadas ao desenvolvimento de alterações oculares degenerativas. Embora não existam estudos que comprovem uma relação causal direta entre excesso de carboidratos e catarata em cães e gatos, os mecanismos metabólicos envolvidos sugerem uma associação indireta plausível. Este artigo revisa a literatura disponível sobre metabolismo de carboidratos em pets, inflamação metabólica, diabetes mellitus e catarata, discutindo implicações clínicas e estratégias nutricionais preventivas.
Palavras-chave: Catarata; Carboidratos; Inflamação metabólica; Diabetes mellitus; Nutrição veterinária.
Cataract is one of the leading causes of visual impairment in dogs and cats and presents a multifactorial etiology, including genetic, inflammatory, traumatic, senile, and metabolic factors. Among metabolic disorders, diabetes mellitus is widely recognized as a major risk factor, particularly in dogs, in which persistent hyperglycemia frequently leads to rapid lens opacification. In recent decades, the widespread use of industrialized pet foods with high carbohydrate content has represented a significant deviation from the evolutionary nutritional physiology of domestic carnivores, especially cats.
Excessive and chronic carbohydrate intake has been associated with obesity, insulin resistance, low-grade systemic inflammation, and increased oxidative stress. These metabolic disturbances are closely linked to the pathophysiology of diabetic cataracts and may indirectly contribute to lens degeneration even in the absence of overt diabetes mellitus. Recurrent postprandial hyperglycemia, hyperinsulinemia, microbiota dysbiosis, and inflammatory cytokine release create a systemic environment that compromises metabolic homeostasis and increases oxidative damage to long-lived lens proteins.
Although there is currently no direct evidence establishing excessive dietary carbohydrates as an isolated cause of cataracts in dogs and cats, the available data support a biologically plausible indirect association mediated by metabolic and inflammatory pathways. Nutritional strategies that emphasize high-quality animal-based proteins, biologically appropriate healthy fats, and minimal inclusion of low–glycemic index carbohydrates may restore metabolic homeostasis, reduce systemic inflammation and oxidative stress, improve insulin sensitivity, and consequently lower the risk of associated pathologies, including cataract development.
Veterinarians play a critical role in educating pet owners about the metabolic risks associated with inappropriate modern feeding practices and in promoting dietary choices that support long-term metabolic health, ocular integrity, and longevity in domestic carnivores.
Keywords: Cataract; Carbohydrates; Metabolic inflammation; Insulin resistance; Veterinary nutrition.
A catarata é caracterizada pela opacificação parcial ou total do cristalino, levando à diminuição progressiva da acuidade visual e, em estágios avançados, à cegueira. Em medicina veterinária, trata-se de uma condição frequente, especialmente em cães, podendo ocorrer também em gatos, embora com menor incidência. Sua etiologia é multifatorial, incluindo causas hereditárias, traumáticas, inflamatórias, infecciosas, senis e metabólicas (GELATT; GELATT, 2011).
Entre os fatores metabólicos, o diabetes mellitus destaca-se como uma das principais causas de catarata, sobretudo em cães. Estima-se que mais de 50% dos cães diabéticos desenvolvam catarata bilateral em curto período após o diagnóstico, em decorrência da hiperglicemia persistente (BEAM et al., 1999). O mecanismo fisiopatológico envolve alterações osmóticas e bioquímicas no cristalino, associadas à via do poliol e à glicação não enzimática de proteínas.
Paralelamente, observa-se uma mudança significativa no padrão alimentar de cães e gatos nas últimas décadas. A ampla utilização de dietas extrusadas comerciais, frequentemente ricas em carboidratos digestíveis, representa um afastamento da dieta ancestral dessas espécies. Os gatos, carnívoros obrigatórios, apresentam capacidade limitada de adaptação metabólica a dietas ricas em carboidratos, enquanto os cães, embora mais flexíveis, também não evoluíram para utilizar carboidratos como principal fonte energética (ZORAN, 2002; LAFLAMME et al., 2014).
O consumo excessivo e crônico de carboidratos tem sido associado a ganho de peso, obesidade, resistência à insulina e inflamação sistêmica de baixo grau. Esses processos estão diretamente relacionados ao desenvolvimento do diabetes mellitus e ao aumento do estresse oxidativo, fatores reconhecidamente envolvidos na fisiopatologia da catarata. Em humanos, estudos epidemiológicos demonstram associação entre dietas de alto índice glicêmico e maior risco de catarata relacionada à idade (CHIU et al., 2023).
Diante desse contexto, torna-se relevante discutir o papel indireto da nutrição rica em carboidratos na saúde ocular de cães e gatos, considerando os mecanismos metabólicos e inflamatórios envolvidos. Este artigo tem como objetivo revisar a literatura científica disponível e discutir a plausibilidade biológica da associação entre excesso de carboidratos na dieta, inflamação metabólica e formação de catarata em pets.
Os gatos apresentam atividade reduzida de enzimas relacionadas ao metabolismo de carboidratos, como a glucocinase hepática, além de uma secreção insulínica menos responsiva a cargas glicídicas elevadas (ZORAN, 2002). Dessa forma, dietas ricas em carboidratos podem resultar em hiperglicemia pós-prandial prolongada.
Os cães, embora classificados como onívoros oportunistas, mantêm uma fisiologia predominantemente adaptada ao consumo de proteínas e gorduras. O excesso de carboidratos, especialmente os de alto índice glicêmico, pode promover flutuações glicêmicas significativas, favorecendo resistência à insulina ao longo do tempo (LAFERRE, 2011).
Dietas com alta densidade energética e elevado teor de carboidratos estão associadas ao desenvolvimento de obesidade em cães e gatos. A obesidade é reconhecida como um estado de inflamação crônica de baixo grau, caracterizado pela liberação contínua de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α, IL-6 e IL-1β (GERMAN, 2006).
Além disso, o excesso de carboidratos pode alterar a microbiota intestinal, promovendo disbiose, aumento da permeabilidade intestinal e endotoxemia metabólica. Esses fatores contribuem para resistência à insulina e aumento do estresse oxidativo sistêmico, criando um ambiente metabólico desfavorável à manutenção da homeostase tecidual.
A catarata diabética é uma das manifestações mais bem documentadas do diabetes mellitus em cães. A hiperglicemia persistente leva à conversão excessiva de glicose em sorbitol dentro das fibras do cristalino, causando acúmulo osmótico, edema celular, ruptura das fibras e opacificação do cristalino (KADOR et al., 1985).
Além disso, a glicação avançada de proteínas cristalinas compromete sua estrutura e função óptica. O estresse oxidativo associado agrava esse processo, reduzindo a eficiência dos mecanismos antioxidantes endógenos do cristalino.
Embora não existam evidências diretas que comprovem que o excesso de carboidratos cause catarata de forma isolada, a literatura sugere uma associação indireta plausível. Dietas ricas em carboidratos podem favorecer o desenvolvimento de obesidade, resistência à insulina e diabetes mellitus, condições intimamente relacionadas à catarata.
Além disso, a inflamação sistêmica e o estresse oxidativo decorrentes de desequilíbrios metabólicos podem comprometer a integridade do cristalino ao longo do tempo, mesmo na ausência de diabetes clínico estabelecido.
Avaliação criteriosa da composição de carboidratos em dietas comerciais
Controle de peso corporal e prevenção da obesidade
Monitoramento glicêmico em animais predispostos
Uso de dietas com menor índice glicêmico
Suporte antioxidante e anti-inflamatório como estratégia preventiva
BEAM, S. et al. Risk factors for diabetes mellitus in dogs. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 214, n. 1, p. 46–51, 1999.
CHIU, C. J. et al. Dietary glycemic index and risk of age-related cataract. American Journal of Clinical Nutrition, 2023.
GELATT, K. N.; GELATT, J. P. Veterinary ophthalmology. 5. ed. Ames: Wiley-Blackwell, 2011.
GERMAN, A. J. The growing problem of obesity in dogs and cats. Journal of Nutrition, v. 136, p. 1940S–1946S, 2006.
KADOR, P. F. et al. The role of the polyol pathway in diabetic cataract formation. Investigative Ophthalmology & Visual Science, v. 26, p. 281–290, 1985.
LAFERRE, J. Nutrition and insulin resistance in dogs. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 41, p. 833–846, 2011.
LAFRAMME, D. et al. Nutrition for aging cats and dogs. Veterinary Clinics of North America, v. 44, p. 761–774, 2014.
ZORAN, D. L. The carnivore connection to nutrition in cats. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 221, p. 1559–1567, 2002.