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EVIDÊNCIA MOLECULAR DA TRANSMISSÃO TRANSPLACENTÁRIA DE EHRLICHIA CANIS EM CADELAS NATURALMENTE INFECTADA
Cláudio Amichetti Júnior¹,² Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Canina, Medicina Canabinóide e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos e cães tipo bull, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar. ² Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil ³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – Clínica 3RD Vila Zelina SP
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal
trabalho p/ obtenção do título de Mestre em Medicina Veterinária.
A erliquiose monocítica canina é uma enfermidade infecciosa sistêmica causada por Ehrlichia canis, bactéria intracelular obrigatória transmitida principalmente pelo carrapato Rhipicephalus sanguineus sensu lato. Embora a transmissão vetorial seja amplamente reconhecida como principal via epidemiológica, evidências recentes indicam a possibilidade de transmissão transplacentária. O presente estudo tem como objetivo analisar as evidências moleculares atuais acerca da transmissão vertical de E. canis em cadelas naturalmente infectadas, bem como discutir suas implicações clínicas e epidemiológicas. Estudos que utilizaram técnicas de PCR e sequenciamento do gene 16S rRNA demonstraram a presença do DNA bacteriano em tecido placentário, sangue fetal e neonatos nas primeiras horas de vida. Esses achados confirmam a capacidade do agente de atravessar a barreira placentária durante episódios de bacteremia materna. Conclui-se que a transmissão vertical, embora secundária à via vetorial, pode contribuir para a manutenção da infecção em áreas endêmicas, sendo relevante para protocolos reprodutivos e estratégias de controle sanitário.
Palavras-chave: erliquiose canina; transmissão vertical; hemoparasitose; PCR; medicina veterinária.
Canine monocytic ehrlichiosis is a systemic infectious disease caused by Ehrlichia canis, an obligate intracellular bacterium primarily transmitted by the tick Rhipicephalus sanguineus sensu lato. Although vector-borne transmission is the main epidemiological route, recent evidence suggests the occurrence of transplacental transmission. This study aims to analyze current molecular evidence regarding vertical transmission of E. canis in naturally infected bitches and to discuss its clinical and epidemiological implications. Studies using PCR assays and sequencing of the 16S rRNA gene have demonstrated the presence of bacterial DNA in placental tissue, fetal blood, and neonates within the first hours of life. These findings confirm the ability of the pathogen to cross the placental barrier during maternal bacteremia. It is concluded that although secondary to vector transmission, vertical transmission may contribute to infection maintenance in endemic areas and should be considered in reproductive and sanitary control protocols.
Keywords: canine ehrlichiosis; vertical transmission; hemoparasitosis; PCR; veterinary medicine.
A erliquiose monocítica canina (EMC) é uma doença infecciosa de ampla distribuição geográfica, especialmente prevalente em regiões tropicais e subtropicais (HARRUS; WANER, 2011). O agente etiológico, Ehrlichia canis, apresenta tropismo por monócitos e macrófagos, desencadeando alterações hematológicas importantes, como trombocitopenia e anemia não regenerativa.
A transmissão ocorre predominantemente pela picada do carrapato Rhipicephalus sanguineus s.l. (NEER et al., 2002). Entretanto, estudos experimentais e evidências moleculares recentes sugerem a possibilidade de transmissão vertical.
Considerando a importância epidemiológica da EMC, torna-se relevante investigar a participação da transmissão transplacentária na manutenção da infecção em populações caninas.
Após inoculação pelo vetor, E. canis invade monócitos circulantes, formando mórulas citoplasmáticas. A doença evolui em fases aguda, subclínica e crônica, sendo a fase aguda caracterizada por intensa bacteremia (HARRUS; WANER, 2011).
A bacteremia elevada constitui fator determinante para possível disseminação sistêmica, incluindo tecidos reprodutivos.
A placenta canina é classificada como endoteliocorial zonária, possuindo múltiplas camadas celulares entre circulação materna e fetal. Apesar dessa barreira, agentes intracelulares podem atravessá-la, especialmente durante processos inflamatórios ou elevada carga infecciosa.
Estudos recentes demonstraram a detecção molecular de E. canis em tecido placentário e amostras fetais de cadelas naturalmente infectadas (PEREIRA et al., 2025).
Pereira et al. (2025) conduziram estudo envolvendo cadelas gestantes naturalmente infectadas no Brasil, utilizando nested PCR direcionada ao gene 16S rRNA, seguida de sequenciamento genético.
Os resultados demonstraram:
Presença de DNA bacteriano em tecido placentário;
Detecção molecular em sangue de neonatos nas primeiras 48 horas de vida;
Alta similaridade genética entre amostras maternas e fetais.
Esses achados constituem evidência molecular robusta da transmissão transplacentária natural.
A confirmação molecular da transmissão vertical amplia a compreensão epidemiológica da EMC. Embora a via vetorial permaneça predominante, a transmissão transplacentária pode:
a) Contribuir para manutenção da infecção em ambientes com baixa infestação por carrapatos;
b) Explicar casos de infecção precoce em neonatos;
c) Interferir em programas de controle sanitário.
Além disso, a infecção materna pode estar associada a alterações reprodutivas, incluindo abortamento e natimortalidade.
A transmissão transplacentária de Ehrlichia canis é biologicamente plausível e molecularmente comprovada. Embora represente via secundária, possui relevância epidemiológica significativa. Recomenda-se a inclusão de triagem molecular em matrizes reprodutoras de áreas endêmicas, visando reduzir a disseminação vertical do agente.
HARRUS, S.; WANER, T. Diagnosis of canine monocytotropic ehrlichiosis (Ehrlichia canis): an overview. Veterinary Journal, London, v. 187, n. 3, p. 292–296, 2011.
NEER, T. M. et al. Consensus statement on ehrlichial disease of small animals. Journal of Veterinary Internal Medicine, Philadelphia, v. 16, n. 3, p. 309–315, 2002.
PEREIRA, M. R. et al. First molecular evidence of vertical transmission of Ehrlichia canis in naturally infected female dogs in Brazil. Veterinary Microbiology, Amsterdam, v. 309, p. 110674, 2025.
Autores:
A planta Cannabis sativa L. é amplamente investigada devido ao potencial medicinal dos fitocanabinoides presentes em suas flores. Contudo, as raízes permanecem subexploradas na literatura moderna, apesar de registros históricos milenares de uso terapêutico. Esta revisão demonstra que as raízes possuem um perfil químico distinto, caracterizado pela presença de triterpenos pentacíclicos, fitoesteróis e compostos fenólicos, com ausência de fitocanabinoides psicotrópicos. Compostos como a Friedelina e o Epifriedelinol apresentam propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e hepatoprotetoras significativas. O estudo discute o potencial das raízes na medicina veterinária e humana, destacando a modulação das vias NF-$\kappa$B e Nrf2 como mecanismos centrais de ação.
Palavras-chave: Cannabis sativa, Raízes, Friedelina, Triterpenos, Medicina Veterinária Integrativa.
A Cannabis sativa L. possui uma história de utilização medicinal que remonta a mais de 5.000 anos, com aplicações descritas nos sistemas médicos chinês, ayurvédico e persa. Enquanto a pesquisa contemporânea foca no $\Delta$9-tetrahidrocanabinol (THC) e no canabidiol (CBD), as raízes foram historicamente a escolha primária para tratar inflamações, febre, gota e queimaduras. Do ponto de vista fitoquímico, as raízes não possuem tricomas glandulares, o que resulta em um perfil livre de substâncias psicotrópicas. Elas funcionam como biofábricas de triterpenos e esteróis, oferecendo uma nova fronteira para a farmacologia botânica e a medicina translacional.
Este estudo consiste em uma revisão narrativa e integrativa da literatura. Foram consultadas as bases PubMed, Scopus, Web of Science e ScienceDirect, utilizando descritores como "Cannabis sativa roots", "friedelin cannabis" e "triterpenes cannabis root". Foram incluídos estudos experimentais e fitoquímicos publicados entre 1970 e 2025, focando na caracterização de metabólitos e ensaios biológicos in vitro e in vivo.
Diferente das flores, as raízes de Cannabis concentram triterpenos pentacíclicos da classe dos friedelanos. A Friedelina é o marcador majoritário, acompanhada pelo Epifriedelinol. Também são encontrados fitoesteróis como o $\beta$-sitosterol e o estigmasterol, além de alcaloides como a cannabisativina. Essa composição confere à raiz uma assinatura química única, voltada para a proteção tecidual e modulação metabólica.
Abaixo, apresento a distinção fundamental entre os compartimentos da planta, essencial para a compreensão do potencial terapêutico radicular.
Abaixo, detalho os principais compostos isolados e suas concentrações relativas.
A atividade terapêutica das raízes de Cannabis ocorre através da modulação de vias intracelulares críticas:
Abaixo, apresento os mecanismos de ação identificados na literatura.
A ausência de compostos psicotrópicos torna os extratos de raízes candidatos ideais para terapias veterinárias:
Abaixo, apresento o potencial clínico dos extratos radiculares.
A padronização de extratos radiculares é o próximo grande desafio. Técnicas como o cultivo aeropônico e a cultura de raízes transformadas (hairy roots) permitem aumentar a produção de Friedelina e Epifriedelinol sob condições controladas. Além disso, o status regulatório das raízes é simplificado pela ausência de THC, facilitando o registro de produtos como nutracêuticos e fitoterápicos veterinários.
As raízes de Cannabis sativa L. representam uma fronteira inexplorada na farmacognosia. A integração do conhecimento etnobotânico com a investigação científica moderna revela que os extratos radiculares são fontes seguras de compostos bioativos com mecanismos de ação bem definidos. O investimento em pesquisa clínica é crucial para traduzir esse potencial em terapias inovadoras para a saúde animal e humana.
|
Composto |
Raízes (mg/g) |
Flores (mg/g) |
Ação Principal |
|---|---|---|---|
|
Friedelina |
1.5 - 5.0 (Alto) |
Ausente / Traços |
Anti-inflamatório / Hepatoprotetor |
|
Epifriedelinol |
0.8 - 2.5 (Médio) |
Ausente / Traços |
Analgésico / Antioxidante |
|
THC |
< 0.01 (Ausente) |
10 - 250 (Alto) |
Psicoativo / Analgésico |
|
CBD |
< 0.05 (Traços) |
5 - 150 (Alto) |
Ansiolítico / Anticonvulsivante |
|
β-sitosterol |
0.5 - 1.5 (Médio) |
0.1 - 0.5 (Baixo) |
Imunomodulador / Hipocolesterolêmico |
|
Classe Química |
Composto Principal |
Concentração Relativa |
Atividade Biológica Principal |
|---|---|---|---|
|
Triterpenos Pentacíclicos |
Friedelina |
Alta |
Inibição de NF-κB e TNF-α |
|
Triterpenos Pentacíclicos |
Epifriedelinol |
Média |
Modulação de fibroblastos e dor |
|
Fitoesteróis |
β-sitosterol |
Média |
Redução de IL-6 e IL-8 |
|
Fitoesteróis |
Estigmasterol |
Baixa |
Proteção da matriz cartilaginosa |
|
Ácidos Fenólicos |
Ácido Cafeico |
Média |
Ativação da via Nrf2 (Antioxidante) |
|
Via Molecular |
Ação do Extrato de Raiz |
Resultado Clínico Esperado |
|---|---|---|
|
NF-κB |
Inibição da translocação nuclear |
Redução drástica de citocinas inflamatórias |
|
Nrf2 |
Ativação do fator de transcrição |
Aumento de enzimas antioxidantes (SOD/Catalase) |
|
COX-2 |
Inibição seletiva |
Analgesia sem efeitos colaterais gástricos |
|
MAPK (JNK/p38) |
Modulação da sinalização |
Controle da apoptose e resposta imune |
|
Especialidade |
Indicação Clínica |
Benefício do Extrato Radicular |
|---|---|---|
|
Ortopedia |
Osteoartrite e Displasias |
Redução da sinovite e proteção condral |
|
Dermatologia |
Dermatite Atópica |
Controle do prurido e regeneração da barreira cutânea |
|
Hepatologia |
Insuficiência Hepática |
Efeito hepatoprotetor e redução do estresse oxidativo |
|
Geriatria |
Inflamação Sistêmica |
Modulação imunológica segura (sem psicotropia) |
Cláudio Amichetti Júnior¹,² Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Canina, Medicina Canabinóide e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos e cães tipo bull, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar. ² Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil ³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – Clínica 3RD Vila Zelina SP
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal
A osteoartrite (OA) canina representa uma das principais causas de dor crônica e incapacidade locomotora em cães, impactando significativamente a qualidade de vida dos animais e de seus tutores. Caracterizada pela degeneração progressiva da cartilagem articular, remodelação óssea subcondral, formação de osteófitos e inflamação sinovial, a OA é uma doença multifatorial e complexa. Este artigo de revisão explora as inovações em métodos diagnósticos, com ênfase em biomarcadores e técnicas de imagem avançadas, e discute as estratégias terapêuticas multimodais contemporâneas. Abordam-se desde as terapias medicamentosas (AINEs, analgésicos, condroprotetores, terapias biológicas) e não medicamentosas (manejo de peso, fisioterapia, nutracêuticos) até as intervenções cirúrgicas, destacando a importância de um plano terapêutico individualizado. Propõe-se uma visão integrativa para o manejo da OA canina, visando a minimização da dor, a preservação da função articular e a melhoria do bem-estar animal.
A osteoartrite (OA) canina, uma doença articular degenerativa crônica e progressiva, representa um dos maiores desafios na prática ortopédica veterinária, afetando a qualidade de vida de milhões de cães e gerando custos significativos para os tutores. Longe de ser um mero processo de "desgaste", a OA é uma síndrome complexa que envolve a degradação da cartilagem articular, a remodelação do osso subcondral, a inflamação sinovial e o comprometimento de estruturas periarticulares. Essa complexidade intrínseca da etiopatogenia da OA exige uma compreensão aprofundada e abordagens diagnósticas e terapêuticas cada vez mais sofisticadas.
Tradicionalmente, o diagnóstico da OA tem se baseado em sinais clínicos, achados no exame físico e alterações radiográficas, que frequentemente se manifestam em estágios avançados da doença. No entanto, a medicina veterinária contemporânea tem presenciado uma revolução nas ferramentas diagnósticas, com o advento de técnicas de imagem avançadas e a emergência de biomarcadores promissores, que oferecem a possibilidade de detecção precoce e monitoramento mais preciso da progressão da doença. Paralelamente, o paradigma terapêutico tem se deslocado de tratamentos paliativos para estratégias multimodais que visam não apenas o alívio sintomático, mas também a modificação da doença e a promoção da regeneração tecidual.
Este artigo de revisão crítica tem como objetivo explorar e sintetizar os avanços mais recentes no diagnóstico da osteoartrite canina, com foco nas metodologias que permitem a identificação precoce e a avaliação objetiva da doença. Adicionalmente, será realizada uma análise aprofundada das estratégias terapêuticas multimodais contemporâneas, abrangendo desde intervenções farmacológicas e biológicas até abordagens de manejo não medicamentosas e cirúrgicas. O intuito é fornecer uma visão integrativa que capacite o clínico veterinário a otimizar o manejo da OA, visando a minimização da dor, a preservação da função articular e a substancial melhoria do bem-estar e da longevidade dos pacientes caninos.
A OA pode ser classificada como primária (idiopática, rara em cães) ou secundária, sendo esta última a mais comum e associada a fatores predisponentes como:
A cascata inflamatória e degenerativa envolve citocinas pró-inflamatórias (IL-1, TNF-α), metaloproteinases de matriz (MMPs), e radicais livres que promovem a degradação da matriz extracelular da cartilagem e a morte condrocitária.
O diagnóstico precoce e preciso da OA é fundamental para instituir um tratamento eficaz e retardar a progressão da doença.
A anamnese detalhada, incluindo histórico de claudicação, rigidez matinal, dificuldade em se levantar ou pular, intolerância ao exercício e mudanças comportamentais, é o ponto de partida. O exame físico ortopédico deve identificar dor à palpação, crepitação, efusão sinovial, atrofia muscular e limitação da amplitude de movimento (ADM). A avaliação da dor pode ser complementada com questionários validados e escalas de dor específicas para cães.
A pesquisa em biomarcadores busca identificar substâncias no sangue, urina ou líquido sinovial que reflitam a atividade metabólica da cartilagem ou o processo inflamatório.
Apesar do potencial, a validação de biomarcadores específicos e sua correlação com a progressão clínica da OA em cães ainda são áreas de intensa pesquisa, com o objetivo de permitir o diagnóstico precoce e a monitorização da resposta terapêutica.
O manejo da OA é multifacetado, com o objetivo de aliviar a dor, melhorar a função articular, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. Raramente uma única modalidade é suficiente.
A obesidade é um fator de risco e agravante da OA. A redução e manutenção do peso ideal são cruciais para diminuir a carga sobre as articulações e reduzir a inflamação sistêmica associada ao tecido adiposo. Dietas específicas para controle de peso e suplementação com ácidos graxos ômega-3 (EPA e DHA), que possuem propriedades anti-inflamatórias, são recomendadas.
A fisioterapia desempenha um papel fundamental no manejo da OA, incluindo:
A cirurgia é indicada para corrigir instabilidades articulares, deformidades ou remover osteófitos dolorosos. Em casos avançados de OA com dor intratável, opções incluem:
A discussão sobre a osteoartrite canina transcendeu a simplista visão de uma patologia de 'desgaste' para abraçar uma compreensão molecular e celular que engloba complexos processos inflamatórios, metabólicos e neurofisiológicos. Esta evolução teórica tem impulsionado a demanda por inovações diagnósticas e terapêuticas, refletindo a crescente busca por um manejo mais eficaz e eticamente responsável da dor e disfunção articular em cães.
Os avanços em diagnóstico por imagem, notadamente RM e ultrassonografia, juntamente com o desenvolvimento promissor de biomarcadores, representam um divisor de águas. Essas ferramentas não apenas possibilitam a detecção da doença em estágios subclínicos, mas também oferecem meios objetivos para monitorar a progressão e avaliar a resposta aos tratamentos, superando as limitações das radiografias convencionais, que muitas vezes refletem apenas alterações morfológicas tardias. A integração desses métodos permite uma estratificação de risco mais precisa e a instituição de intervenções mais precoces e direcionadas.
No âmbito terapêutico, a abordagem multimodal emergiu como o padrão-ouro. A sinergia entre o controle de peso, a fisioterapia, as terapias farmacológicas convencionais (AINEs, analgésicos) e os agentes condroprotetores (como o Pentosan Polissulfato de Sódio, que oferece um espectro de ação anabólico e anti-inflamatório) é crucial. Além disso, a ascensão das terapias biológicas, como PRP e MSCs, representa um campo em rápida expansão, com potencial para modificar o curso da doença através de mecanismos regenerativos e imunomodulatórios. No entanto, a padronização de protocolos e a elucidação dos mecanismos de ação in vivo ainda são áreas que demandam mais pesquisa.
Um aspecto central é a individualização do tratamento. A idade do paciente, raça, estágio da OA, a presença de comorbidades e o perfil de atividade devem guiar a seleção das modalidades terapêuticas. A colaboração ativa com o tutor, envolvendo educação sobre a natureza crônica da OA e a importância da adesão ao plano terapêutico, é indispensável para o sucesso a longo prazo.
Apesar dos avanços, desafios significativos persistem. A validação de biomarcadores prognósticos confiáveis e a identificação de pacientes respondedores a terapias biológicas específicas são cruciais. Adicionalmente, a busca por novas drogas modificadoras da doença que possam verdadeiramente interromper ou reverter a degeneração cartilaginosa continua sendo um objetivo primordial da pesquisa. A integração de tecnologias como a inteligência artificial para análise preditiva e a personalização de protocolos terapêuticos representa a fronteira futura do manejo da OA canina.
Em suma, a evolução no diagnóstico e na terapia da OA canina reflete um compromisso contínuo com a melhoria da saúde e bem-estar animal. A transição de um tratamento reativo para um proativo e personalizado é um testemunho do progresso na ortopedia veterinária.
Em síntese, a osteoartrite canina, outrora percebida como uma inevitável consequência do envelhecimento ou do desgaste, é hoje compreendida como uma patologia complexa e dinâmica, que demanda uma intervenção abrangente e precoce. Esta revisão demonstrou que a integração de metodologias diagnósticas avançadas, como a ressonância magnética e o crescente uso de biomarcadores, é fundamental para a identificação precoce da doença e para a monitorização objetiva de sua progressão e resposta terapêutica. Tais ferramentas capacitam os médicos-veterinários a ir além do diagnóstico clínico tardio, permitindo intervenções mais oportunas e eficazes.
No espectro terapêutico, o paradigma multimodal consolidou-se como a abordagem mais efetiva. A combinação estratégica de manejo de peso, fisioterapia, terapias farmacológicas convencionais e inovadoras (incluindo condroprotetores como o PPS e terapias biológicas) e, quando estritamente indicado, intervenções cirúrgicas, permite um controle superior da dor, a preservação da funcionalidade articular e, em última instância, a melhoria substancial da qualidade de vida dos cães. A personalização de cada plano terapêutico, adaptado às especificidades de cada paciente, é a chave para maximizar os resultados.
O futuro do manejo da OA canina reside na contínua pesquisa para a descoberta de biomarcadores mais sensíveis e específicos, na padronização de terapias regenerativas e no desenvolvimento de novas drogas modificadoras da doença. A colaboração multidisciplinar entre pesquisadores, clínicos e a educação dos tutores permanecerão pilares essenciais para o avanço da ortopedia veterinária, assegurando que cães com osteoartrite possam desfrutar de uma vida mais longa, ativa e livre de dor.