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Autores:
Cláudio Amichetti Júnior¹,²
Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar.
² [Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil]
³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – [clínica 3RD Vila Zelina SP]
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
A crescente prevalência de distúrbios metabólicos e dermatológicos em animais de companhia, como cães e gatos, tem impulsionado a investigação sobre a interação entre dieta, microbiota intestinal e saúde sistêmica. Este artigo revisa a literatura científica que conecta o supercrescimento bacteriano e fúngico (CIBO/SIBO/SIFI) no trato gastrointestinal à inflamação sistêmica, através da translocação de lipopolissacarídeos (LPS). Argumentamos que o consumo de dietas ricas em carboidratos, especialmente derivados do trigo moderno, exacerba esses desequilíbrios, resultando em resistência à insulina, obesidade, e problemas cutâneos. Detalhamos os mecanismos fisiológicos envolvidos, incluindo a modulação de vias como AMPK e mTOR, e as consequências para a saúde cutânea. A revisão também apresenta evidências sobre a presença de trigo e glúten em dietas comerciais para pets, e discute abordagens terapêuticas baseadas na remoção do combustível da disbiose, modulação do sistema endocanabinoide, correção da disbiose e ativação metabólica( Amichetti, 2025). Concluímos que uma compreensão aprofundada desses mecanismos é crucial para aprimorar as estratégias diagnósticas e terapêuticas na medicina veterinária.
Palavras-chave: CIBO, SIBO, SIFI, LPS, trigo moderno, obesidade, resistência à insulina, dermatite, medicina veterinária, cães, gatos.
A saúde integral de cães e gatos, assim como a de seres humanos, está intrinsecamente ligada ao equilíbrio da microbiota intestinal. Nos últimos anos, a medicina veterinária tem dedicado atenção crescente a condições como o supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO), o supercrescimento fúngico no intestino delgado (SIFI) e o supercrescimento bacteriano no intestino grosso (CIBO), dada a sua profunda influência na fisiologia do hospedeiro [1]. Essas disbioses, caracterizadas por um desequilíbrio na composição e função microbiana, são cada vez mais reconhecidas como fatores contribuintes para uma miríade de patologias que vão além do trato gastrointestinal.
Paralelamente, a dieta moderna de muitos animais de companhia, frequentemente rica em carboidratos processados e derivados de cereais, tem sido questionada por seu impacto na saúde metabólica e inflamatória. O trigo moderno, em particular, com suas características específicas de amido e proteínas, é um ingrediente predominante em muitas formulações de rações extrusadas (kibbles) e pet treats [2,3]. Este artigo tem como objetivo consolidar a evidência científica que interliga a disbiose intestinal induzida por dietas ricas em carboidratos de trigo com a inflamação sistêmica mediada por lipopolissacarídeos (LPS), culminando em distúrbios metabólicos como resistência à insulina e obesidade, e manifestações dermatológicas em cães e gatos. Ao final, propomos estratégias práticas baseadas na evidência para o manejo dessas condições na prática veterinária.
O intestino saudável de cães e gatos é mantido por uma barreira epitelial robusta, cuja integridade é garantida por tight junctions complexas, moduladas por proteínas como Occludin e ZO-1, além da mucina MUC-2 e a ativação da Proteína Quinase Ativada por AMP (AMPK) [4]. O sistema endocanabinoide (receptores CB1/CB2) também desempenha um papel crucial na modulação da permeabilidade intestinal [5].
No entanto, em quadros de CIBO, SIBO ou SIFI, ocorre um supercrescimento microbiano que leva à fermentação excessiva, produção de gases e, criticamente, ao dano das tight junctions, resultando em um aumento da permeabilidade intestinal, fenômeno conhecido como "intestino permeável" (leaky gut). As bactérias Gram-negativas, abundantes nesses cenários disbióticos, liberam lipopolissacarídeos (LPS) para a corrente sanguínea. O LPS é uma endotoxina altamente inflamatória que, uma vez na circulação sistêmica, ativa uma cascata inflamatória [6].
A ativação de receptores como TLR4 (Toll-like receptor 4) pelo LPS desencadeia vias de sinalização intracelular, incluindo o fator nuclear kappa B (NF-κB), que por sua vez estimula a produção de citocinas pró-inflamatórias como IL-6 e TNF-α, e quimiocinas como MCP-1 [7,8]. Esta inflamação sistêmica de baixo grau é um pilar da "endotoxemia metabólica", uma condição que tem sido fortemente associada à obesidade, resistência à insulina, dificuldade de perda de peso, aumento da fome e absorção de gordura, e agravamento de alergias cutâneas em mamíferos. A gravidade desses efeitos é exacerbada em gatos, carnívoros estritos que possuem uma capacidade metabólica limitada para processar carboidratos.
O trigo moderno, amplamente empregado na indústria de alimentos para animais de companhia, apresenta características que podem agravar a disbiose e a inflamação sistêmica. Similar aos mecanismos observados em humanos [9], as vias metabólicas ancestrais conservadas em pets tornam-nos suscetíveis a esses efeitos.
Os principais componentes do trigo moderno implicados incluem:
Esses fatores, atuando sinergicamente, alimentam bactérias produtoras de LPS, exacerbam a disbiose, aumentam a absorção de gordura por danos aos enterócitos e intensificam a inflamação cutânea. Em felinos, essas interações dietéticas são particularmente críticas e podem manifestar-se como dermatite atópica, queda de pelo, caspas, prurido recorrente, ganho de peso inexplicável (mesmo com pouca ingestão calórica), triadite/enterite linfoplasmocitária e diabetes felino.
A seguir, a Tabela 1 oferece uma visão consolidada da presença e implicação dos carboidratos e do trigo em rações comerciais para pets.
| Aspecto Avaliado | Principais Descobertas | Fontes Relevantes | Relevância para a Prática Veterinária |
|---|---|---|---|
| Conteúdo de Carboidratos em Rações Secas (Kibbles) | A maioria das rações extrusadas para cães e gatos contém 30–60% de carboidratos. | [8] | Indica a alta carga glicêmica inerente a muitas dietas comerciais, impactando o metabolismo de pets. |
| Fontes Comuns de Carboidratos | Trigo, milho, arroz, aveia, cevada são frequentes em rações \"com grãos\". Ervilha e batata em \"grain-free\". Trigo/farinha de trigo são comuns em *pet treats*. | [13,14,15] | Ajuda a identificar potenciais ingredientes inflamatórios ou de difícil digestão em diferentes produtos. |
| Composição do Grão de Trigo | O amido (starch) representa aproximadamente 60–70% da massa total do grão de trigo. | [9,10] | Fornece base para estimar a contribuição energética e de carboidratos quando o trigo está presente na formulação, reforçando seu potencial impacto glicêmico. |
| Ingredientes da Indústria de Ração | Milho e seus derivados são predominantes em volume, mas o trigo e a farinha de trigo são consistentemente utilizados em rações e, especialmente, em *treats*. | [14,15] | Evidencia que, apesar de variações, o trigo é um componente significativo na cadeia de produção de alimentos para pets. |
Apesar da popularidade das dietas "grain-free", a Tabela 2 destaca os desafios em garantir a ausência total de trigo e glúten devido à contaminação cruzada, bem como a dificuldade em quantificar esses componentes através de rótulos.
| Foco da Análise | Resultados Chave / Métodos | Fonte / Observação | Implicação para a Escolha Dietética |
|---|---|---|---|
| Contaminação em Produtos \"Grain-Free\" | Estudos detectaram contaminação por farinha de trigo (traços mensuráveis, ex: até 10 mg/g) em algumas rações rotuladas como \"grain-free\" (limite de quantificação ≈ 4 mg/g). | [16] | Rótulos \"grain-free\" podem não garantir ausência total de trigo devido à contaminação cruzada. É crucial considerar a sensibilidade individual do pet. |
| Métodos de Detecção de Trigo/Glúten | Análise proximate para inferir carboidratos (NFE). Métodos analíticos específicos (HPLC-HRMS, PCR, testes imunoquímicos) para quantificar glúten ou marcadores de trigo em mg/g. | [16] | Para pets com sensibilidade severa, a análise laboratorial pode ser necessária para confirmar a ausência de trigo, além da leitura do rótulo. |
| Informação nos Rótulos | Rótulos geralmente listam ingredientes por ordem de peso (pré-cozimento) e declaração nutricional (proteína, gordura, fibra, umidade), mas raramente \"g de trigo por 100g\". | Observações Metodológicas (original) | A ausência de quantificação exata de trigo nos rótulos dificulta a avaliação precisa da exposição ao ingrediente por parte do tutor ou veterinário. |
A disbiose intestinal, impulsionada por dietas ricas em carboidratos e a subsequente translocação de LPS, orquestra uma série de desregulações metabólicas que culminam em obesidade e resistência à insulina em pets. Os principais mecanismos incluem:
A pele, muitas vezes referida como um "espelho do intestino", reflete a saúde interna do organismo. A inflamação sistêmica induzida pelo LPS tem um impacto direto e significativo na barreira cutânea e na resposta imune da pele. Quando há LPS circulante:
A combinação de carboidratos em excesso e a inflamação sistêmica também promovem uma disbiose da microbiota cutânea, favorecendo o supercrescimento de microrganismos como Staphylococcus spp. e Malassezia spp., que por sua vez desencadeiam ou exacerbam dermatites recorrentes.
A complexidade da interação entre dieta, microbiota intestinal e saúde sistêmica exige uma abordagem multifacetada na prática veterinária:
Remoção do Gatilho da Disbiose: Restrição de Carboidratos e Trigo:
Modulação do Sistema Endocanabinoide:
Correção da Disbiose Intestinal:
Ativação da AMPK e Redução da mTOR:
A compreensão dos mecanismos que ligam a dieta, a disbiose intestinal e as patologias metabólicas e cutâneas em cães e gatos é fundamental para o avanço da medicina veterinária preventiva e terapêutica. A evidência apresentada neste artigo reforça a ideia de que a "saúde começa no intestino", e que as escolhas dietéticas desempenham um papel central na modulação da microbiota e na integridade da barreira intestinal.
A ubiquidade do trigo e de carboidratos de alto índice glicêmico nas dietas comerciais para pets, aliada à detecção de contaminação em produtos "grain-free", sublinha a necessidade de uma análise crítica dos rótulos e, quando necessário, de avaliações laboratoriais. A predisposição de gatos, como carnívoros estritos, a desenvolver problemas metabólicos e inflamatórios em resposta a dietas ricas em carboidratos merece atenção especial.
As estratégias de manejo propostas visam não apenas tratar os sintomas, mas abordar as causas subjacentes, restaurando o equilíbrio intestinal e metabólico. A individualização da dieta e a integração de terapias complementares, como a modulação do sistema endocanabinoide, representam um caminho promissor para aprimorar a qualidade de vida dos animais de companhia. Futuras pesquisas devem focar na quantificação precisa dos componentes do trigo em rações, no desenvolvimento de biomarcadores de disbiose e inflamação específicos para pets, e na avaliação da eficácia a longo prazo das intervenções dietéticas e terapêuticas propostas.
A disbiose intestinal, potencializada pelo consumo de trigo moderno e excesso de carboidratos, é um motor significativo de inflamação sistêmica mediada por LPS em cães e gatos. Esta inflamação culmina em resistência à insulina, obesidade e uma gama de problemas cutâneos. Intervenções dietéticas que minimizem a exposição a esses gatilhos, combinadas com terapias moduladoras da microbiota e do metabolismo, oferecem um caminho promissor para mitigar e reverter essas patologias. A medicina veterinária moderna deve abraçar uma abordagem holística que reconheça a profunda interconexão entre dieta, intestino e saúde sistêmica.
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Dr Claudio Amichetti Junior. Engenheiro agrônomo e Médico veterinário
A intoxicação por plantas dos gêneros Lilium spp. (lírios verdadeiros) e Hemerocallis spp. (lírios-de-um-dia) representa uma das emergências toxicológicas mais graves e frequentemente subestimadas na medicina felina. Apesar da ubiquidade dessas plantas em ambientes domésticos e paisagísticos, a maioria dos tutores desconhece sua letalidade específica para gatos, resultando em exposições acidentais que podem levar à insuficiência renal aguda e óbito (DOUGLASS & GWALTNEY-BRANT, 2013; HOSEK & SCHNEIDER, 2016). Este artigo científico visa consolidar o conhecimento atual sobre a etiologia, toxicocinética, patofisiologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento da intoxicação por lírios em felinos, além de enfatizar a importância das medidas preventivas e da educação do tutor. Serão exploradas as peculiaridades da susceptibilidade felina e a natureza ainda indeterminada do princípio tóxico, reforçando a necessidade de intervenção veterinária imediata e agressiva para otimizar o prognóstico (AMICHETTI et all 2024).
As plantas ornamentais desempenham um papel significativo na estética de ambientes residenciais e comerciais. Entre elas, os lírios (gêneros Lilium e Hemerocallis) são amplamente populares devido à sua beleza e variedade de cores, sendo frequentemente utilizados em arranjos florais, jardins e decorações festivas (FITZGERALD, 2010; VOLMER, 2015). Contudo, o que é um adorno inofensivo para a maioria das espécies pode ser um perigo mortal para os gatos domésticos (Felis catus) (AMICHETTI et all 2024). A toxicidade aguda por lírios em felinos é um fenômeno singular no reino animal, caracterizada pela indução de nefrotoxicidade grave e rápida, culminando em insuficiência renal aguda (IRA) se não tratada precocemente (PANZIERA et al., 2019; SLATER & GWALTNEY-BRANT, 2011; HOSEK & SCHNEIDER, 2016).
Apesar da seriedade do quadro, estudos epidemiológicos indicam uma lacuna significativa no conhecimento dos tutores sobre essa toxicidade. Estima-se que mais de 70% dos proprietários de gatos desconhecem o risco representado pelos lírios, contribuindo para a alta incidência de exposições acidentais (SLATER & GWALTNEY-BRANT, 2011; TEBBUTT et al., 2015). A ingestão de qualquer parte da planta – flores, folhas, caules, pólen ou água do vaso – mesmo em pequenas quantidades, pode desencadear o processo tóxico (XIA et al., 2013). O presente artigo tem como objetivo revisar de forma abrangente os aspectos toxicológicos, clínicos e preventivos da intoxicação por lírios em felinos, fornecendo uma base de conhecimento para profissionais da medicina veterinária e educadores de saúde animal.
Os principais gêneros de lírios envolvidos na toxicidade felina são Lilium spp. (lírios orientais, asiáticos, trombeta, tigre, etc.) e Hemerocallis spp. (lírios-de-um-dia). Ambas as espécies são altamente tóxicas, e a distinção botânica entre elas é crucial para a identificação, embora ambas demandem a mesma conduta emergencial (COPE, 2005; DOUGLASS & GWALTNEY-BRANT, 2013). Todas as partes da planta são consideradas tóxicas, com o pólen e a água de vasos contendo lírios também representando riscos significativos (XIA et al., 2013).
O princípio ativo responsável pela nefrotoxicidade em felinos ainda não foi isolado ou quimicamente caracterizado (FITZGERALD, 2010; PAWLOWSKY et al., 2021; MEROLA, 2014). Essa ausência de identificação do tóxico primário dificulta o desenvolvimento de antídotos específicos e testes diagnósticos diretos. Contudo, sabe-se que o agente é rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal, e sua toxicocinética sugere um metabolismo ou interação peculiar no organismo felino que leva à sua ação nefrotóxica. A rapidez com que os sintomas se manifestam e a gravidade da lesão renal indicam que mesmo pequenas quantidades, como uma a duas pétalas ou a lambedura de pólen na pelagem, são suficientes para iniciar o quadro de intoxicação (PANZIERA et al., 2019; HOSEK & SCHNEIDER, 2016).
A característica mais intrigante da intoxicação por lírios é a susceptibilidade exclusiva dos felinos. Enquanto cães e outras espécies animais podem apresentar sinais gastrointestinais leves, os gatos são os únicos que desenvolvem falência renal aguda (FITZGERALD, 2010; MEROLA, 2014). Essa especificidade sugere uma particularidade metabólica ou a presença de receptores específicos no organismo felino que interagem com o(s) princípio(s) tóxico(s) ainda não identificado(s) (GUARINO, 2014; DOUGLASS & GWALTNEY-BRANT, 2013).
Acredita-se que a toxina cause lesão direta nas células epiteliais tubulares renais, levando à necrose tubular aguda (NTA) (XIA et al., 2013; SATO et al., 2016). A NTA resulta na perda da capacidade de filtração e reabsorção renal, comprometendo a homeostase hidroeletrolítica e acidobásica. A lesão é predominantemente cortical, afetando os túbulos proximais e distais. A obstrução dos túbulos por restos celulares e o edema intersticial contribuem para a diminuição da taxa de filtração glomerular (TFG), levando a oligúria ou anúria (PANZIERA et al., 2019; ROSENFELD et al., 2013). A rápida progressão da disfunção renal pode levar a azotemia severa, uremia e desequilíbrios eletrolíticos (hipercalemia, hiperfosfatemia) e ácido-base (acidose metabólica), que são as principais causas de morbidade e mortalidade.
Os sinais clínicos da intoxicação por lírios em gatos geralmente se manifestam em fases e variam conforme a dose ingerida e o tempo decorrido desde a exposição. Os primeiros sintomas podem surgir entre 2 a 12 horas após a ingestão e são predominantemente gastrointestinais (JARDIM et al., 2021; SATO et al., 2016):
Fase inicial (2-12 horas):
Fase intermediária (12-24 horas):
Fase tardia (> 24-72 horas):
O diagnóstico é primariamente baseado na anamnese, que inclui a suspeita ou confirmação de exposição a lírios, e nos achados clínicos e laboratoriais (THOMPSON, 2012; HOSEK & SCHNEIDER, 2016). Exames laboratoriais revelam:
A rapidez na identificação da exposição e na busca por atendimento veterinário é crítica, pois o prognóstico está diretamente ligado à precocidade do tratamento (DOUGLASS & GWALTNEY-BRANT, 2013).
O tratamento da intoxicação por lírios em felinos é essencialmente de suporte e visa à descontaminação, à manutenção da função renal e ao manejo das complicações sistêmicas (FITZGERALD, 2010; KEMP & GWALTNEY-BRANT, 2018). A intervenção deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente dentro de 6 horas após a ingestão.
Descontaminação:
Fluidoterapia intravenosa agressiva: É a pedra angular do tratamento. A administração de fluidos cristaloides isotônicos (ex: Ringer lactato) em doses altas (2-3 vezes a dose de manutenção) por pelo menos 48-72 horas ajuda a promover a diurese e a perfusão renal, "lavando" a toxina dos túbulos e prevenindo ou minimizando a lesão renal (JARDIM et al., 2021; GUARINO, 2014; MEROLA, 2014).
Monitoramento:
Manejo da insuficiência renal:
O prognóstico é favorável se o tratamento for instituído nas primeiras horas pós-exposição, antes do desenvolvimento de IRA severa. Gatos que desenvolvem oligúria/anúria têm um prognóstico reservado a desfavorável, mesmo com suporte agressivo. A taxa de mortalidade pode ser alta em casos de diagnóstico e tratamento tardios (SLATER & GWALTNEY-BRANT, 2011; ROSENFELD et al., 2013).
Considerando a gravidade da intoxicação e o prognóstico reservado em casos avançados, a prevenção é, inegavelmente, a estratégia mais eficaz (DOUGLASS & GWALTNEY-BRANT, 2013). A educação dos tutores de gatos é fundamental para reduzir a incidência dessa emergência toxicológica (THOMPSON, 2012; TAN et al., 2020; HOSEK & SCHNEIDER, 2016).
As principais recomendações do Dr Amichetti 2018 preventivas incluem:
A intoxicação por lírios representa uma ameaça séria e potencialmente fatal para os felinos domésticos, resultando em insuficiência renal aguda com alta morbidade e mortalidade (DOUGLASS & GWALTNEY-BRANT, 2013). A singularidade da susceptibilidade felina, aliada à natureza desconhecida do princípio tóxico, torna essa condição um desafio diagnóstico e terapêutico. A rápida absorção da toxina e a lesão renal aguda exigem uma intervenção veterinária emergencial e agressiva (MEROLA, 2014). No entanto, a prevenção através da educação proativa dos tutores sobre a identificação dos lírios e a eliminação de sua presença no ambiente felino continua sendo a abordagem mais eficaz para salvaguardar a vida e a saúde dos gatos. A pesquisa contínua é vital para identificar a toxina, desenvolver antídotos e aprimorar as estratégias de manejo.
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