Revista Científica Medico Veterinária Petclube Cães Gatos - Dr Claudio Med Vet Integrativo

Dr Claudio Med Vet Integrativo

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  • As micoses cutâneas em gatos "tinha", infecções fúngicas da pele, pelos e unhas

    Dr Claudio Med Veterinário Integrativo e Funcional e Eng. Agrônomo Sustentável

    A dermatofitose em felinos e caninos representa uma das dermatopatias mais frequentemente diagnosticadas na rotina veterinária, destacando-se não apenas por sua natureza contagiosa, mas, sobretudo, por seu significativo caráter zoonótico. Compreender a etiopatogenia, epidemiologia, manifestações clínicas, bem como as estratégias diagnósticas, terapêuticas e preventivas, é imperativo para médicos-veterinários, visando a saúde animal e a saúde pública.

    1. Etiologia e Patogenia

    A dermatofitose é uma infecção fúngica superficial que afeta a camada córnea da epiderme, os pelos e as unhas de diversas espécies animais e humanos (LOPES & DANTAS, 2016; Moriello, 2014). Os agentes etiológicos são fungos dermatófitos, organismos queratinofílicos e queratinolíticos, pertencentes à família Arthrodermataceae. Os mais prevalentes em pequenos animais incluem:

     
    • Microsporum canis: Classificado como zoofílico, é o dermatófito mais comumente isolado em felinos e caninos, respondendo por uma vasta maioria dos casos (FIALHO et al., 2023; Cafarchia et al., 2008). Felinos, em particular, podem atuar como portadores assintomáticos, o que dificulta o controle epidemiológico (Moriello, 2014).
    • Microsporum gypseum: De caráter geofílico, é encontrado no solo e pode infectar animais e humanos que entram em contato direto com ambientes contaminados (Scott et al., 2012).
    • Trichophyton mentagrophytes: Outro fungo zoofílico, frequentemente associado a roedores, embora sua prevalência em pequenos animais seja menor em comparação ao M. canis (FIALHO et al., 2023; Cafarchia et al., 2008).

    Esses fungos filamentosos, septados e hialinos invadem o tecido queratinizado do hospedeiro, degradando a queratina para obter nutrientes essenciais. Sua reprodução ocorre por fragmentação das hifas, dando origem a artroconídios, que são as estruturas infecciosas de alta resistência e capacidade de disseminação ambiental (SOARES & SÉRVIO, 2022; Moriello, 2014).

    2. Epidemiologia e Transmissão

    A transmissão da dermatofitose ocorre primariamente por contato direto entre indivíduos infectados (sintomáticos ou assintomáticos) e suscetíveis, ou indiretamente, por meio de fômites e ambiente contaminado (Moriello, 2014). A persistência dos esporos fúngicos no ambiente e sua resistência a condições adversas contribuem significativamente para a disseminação da afecção, representando um desafio tanto na medicina veterinária quanto na saúde pública (SOARES & SÉRVIO, 2022; Moriello, 2014).

    Fatores Predisponentes:

    Diversos fatores podem aumentar a suscetibilidade à infecção e ao desenvolvimento da doença clínica (FIALHO et al., 2023; Scott et al., 2012):

    * Fatores do Hospedeiro:

     

    Raças: Animais de pelagem longa, como Yorkshire Terriers e gatos Persas, apresentam maior prevalência devido à dificuldade na auto-higienização e maior retenção de esporos (Scott et al., 2012).

     

    Comportamento:Animais com comportamento agressivo ou territorialista (especialmente não castrados) estão mais propensos a lesões cutâneas que servem como porta de entrada.

     

    Idade e Imunidade: Filhotes e animais jovens (<1 ano), idosos e imunossuprimidos (devido a doenças concomitantes como FIV/FeLV, diabetes mellitus, uso de corticosteroides ou outras patologias crônicas) são mais vulneráveis devido à imaturidade ou deficiência do sistema imunológico (Scott et al., 2012; Moriello, 2014).

    • Fatores Ambientais:
      • Clima: Regiões tropicais e subtropicais, caracterizadas por temperaturas elevadas e alta umidade, favorecem a proliferação fúngica (ALASGAROVA et al., 2024).
      • Condições de Higiene: Ambientes úmidos, sujos e com superpopulação de animais contribuem para a proliferação e disseminação dos esporos (Moriello, 2014).

    3. Zoonose e Saúde Pública

    A dermatofitose é uma zoonose de importância considerável. Agentes como o M. canis, o dermatófito zoofílico mais frequente, são responsáveis por aproximadamente 30% das dermatofitoses em humanos, sendo que em algumas regiões a prevalência pode ser ainda maior (SOUZA et al., 2022; Moriello, 2014). A convivência próxima entre pets e tutores facilita a transmissão, tornando essencial a orientação sobre medidas preventivas e de higiene pessoal (Moriello, 2014). A utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) pela equipe veterinária (avental impermeável, luvas descartáveis, máscara) é indispensável durante o manejo de animais suspeitos ou confirmados, minimizando o risco de contaminação cruzada e a disseminação ambiental do agente (AMORIM, 2020).

    4. Manifestações Clínicas

    Os sinais clínicos da dermatofitose em cães e gatos podem ser altamente variáveis e inespecíficos, sendo que uma parcela considerável de animais, especialmente felinos (17-80%), pode ser assintomática, atuando como portadores (SOUZA et al., 2022; Moriello, 2014). Em animais sintomáticos, as lesões tipicamente aparecem em torno da terceira semana pós-exposição e incluem (Scott et al., 2012):

    * Alopecia: Perda de pelo de padrão geográfico, irregular ou circular, frequentemente com pelos quebradiços ("em pincel").
    • Eritema: Vermelhidão na pele.
    • Descamação e Crostas: Pele com aspecto seco, com caspas e crostas aderidas.
    • Prurido: Geralmente ausente ou leve, mas pode estar presente em casos de infecções secundárias bacterianas ou reações de hipersensibilidade.
    • Outras formas: Lesões nodulares (querion) e pseudomicetomas dermatofíticos são formas menos comuns, mas descritas, especialmente em raças como o Persa (HOBI et al., 2024).

    As lesões podem ser localizadas ou disseminadas, e a intensidade varia conforme o agente envolvido e a resposta imune do hospedeiro. O diagnóstico diferencial abrange outras dermatopatias, como dermatites bacterianas (foliculite, furunculose), demodicose, dermatite miliar felina e doenças imunomediadas, exigindo um diagnóstico assertivo (Scott et al., 2012).

    5. Abordagens Diagnósticas

    A anamnese detalhada e o exame físico são etapas iniciais cruciais. A confirmação diagnóstica requer exames complementares específicos (LOPES & DANTAS, 2016; SOUZA et al., 2022; Moriello, 2014):

     
    • Lâmpada de Wood:Utiliza luz ultravioleta (365 nm) para detectar fluorescência verde-maçã em pelos infectados por Microsporum canis devido à produção de triptofano (SCHILDT & PÄNKÄLÄ, 2024; Moriello, 2014). É uma ferramenta de triagem rápida e de baixo custo, mas não diagnóstica, pois apenas cerca de 50-60% das cepas de M. canis fluorescem, e outras espécies de dermatófitos (e.g., M. gypseum, Trichophyton spp.) não produzem fluorescência. Falsos positivos podem ocorrer devido a contaminações (fibras, medicamentos tópicos).
    • Microscopia Direta: Envolve a observação microscópica de pelos epilados ou raspados de pele (em KOH a 10-20% ou óleo mineral) para identificar hifas e esporos fúngicos (ectotrix ou endotrix). A visualização de macroconídios (ex: alongados com 5-15 células em M. canis) ou microconídios típicos ajuda na suspeita da espécie (Scott et al., 2012).
    • Cultura Fúngica (Padrão Ouro): Considerada o método diagnóstico definitivo, permite o isolamento e a identificação da espécie fúngica. Amostras de pelos (coletadas por pinça de áreas fluorescentes ou da borda de lesões ativas) e escamas, ou pela técnica de escovação de Mackenzie (ideal para triagem de portadores e ambiente), são inoculadas em meios específicos como o Dermatophyte Test Medium (DTM) ou Sabouraud Dextrose Agar (SDA) com antibióticos (cloranfenicol e cicloheximida) (Moriello, 2014; Scott et al., 2012). A mudança de cor do DTM para vermelho, concomitante ao crescimento de uma colônia fúngica branca, pulverulenta ou algodão, é altamente sugestiva de dermatófito, devendo ser confirmada por exame microscópico da colônia. O crescimento pode levar até 3 semanas.
    • Biópsia Cutânea e Histopatologia: Reservada para casos atípicos, lesões nodulares, ou quando há suspeita de infecção fúngica profunda, bem como para diferenciar de outras dermatopatias. A amostra tecidual é fixada em formol e processada para colorações histoquímicas especiais (e.g., PAS – Periodic Acid-Schiff; GMS – Grocott's Methenamine Silver) que evidenciam os elementos fúngicos no tecido (Scott et al., 2012).

    Um diagnóstico ágil e assertivo é fundamental para instituir o tratamento correto, minimizando a transmissão e o impacto na saúde pública.

    6. Estratégias Terapêuticas

    O tratamento da dermatofitose felina e canina deve ser abrangente, visando a eliminação do fungo, a redução da contaminação ambiental e a prevenção da transmissão (Moriello, 2014).

    a) Terapia Convencional

    A abordagem terapêutica inclui o uso de antifúngicos sistêmicos e tópicos:

     
    • Antifúngicos Sistêmicos:O Itraconazol é frequentemente a escolha primária devido à sua eficácia e bom perfil de segurança para felinos, administrado em regime de pulsoterapia (ex: 7 dias de tratamento, 7 dias de descanso) para otimizar a adesão e reduzir efeitos adversos (Moriello, 2014; Scott et al., 2012). A Terbinafina é outra opção eficaz, com boa biodisponibilidade e penetração cutânea. A Griseofulvina é um antifúngico mais antigo, ainda eficaz, mas com maior potencial de efeitos colaterais e teratogenicidade, sendo menos utilizada atualmente. O tratamento sistêmico é indicado para casos generalizados, múltiplos animais, ou em pacientes imunocomprometidos. A duração é determinada pela cura micológica, confirmada por duas culturas fúngicas negativas consecutivas, realizadas com 1-2 semanas de intervalo.
    • Antifúngicos Tópicos: Utilizados para infecções localizadas ou como adjuvantes à terapia sistêmica, visam reduzir a carga fúngica na pelagem e pele. Banhos com xampus contendo miconazol 2% e clorexidina 2-4%, ou dips de sulfeto de lima a 1:16, são eficazes. Pomadas ou cremes à base de miconazol ou clotrimazol podem ser aplicados em lesões específicas (Scott et al., 2012).
    • Tricotomia: Para animais de pelagem longa, a tosa da área afetada ou mesmo do corpo inteiro pode facilitar a ação dos produtos tópicos e reduzir a disseminação de esporos (LOPES & DANTAS, 2016; Moriello, 2014).

    b) Medicina Veterinária Integrativa e Funcional

    Complementar à terapia convencional, a abordagem integrativa visa fortalecer a imunidade do paciente, otimizar a saúde da barreira cutânea e gerenciar o estresse, fatores cruciais para a recuperação e prevenção de recorrências. Como médico veterinário integrativo e funcional, o Dr. Claudio sugere, após exames e avaliações pessoais:

    * Suporte Nutricional Otimizado:

    Aprofundando nas medidas de suporte à saúde dermatológica em felinos e caninos, a medicina veterinária integrativa e funcional preconiza uma abordagem nutricional e suplementar que vai além do suprimento das necessidades básicas. O objetivo é modular processos fisiológicos específicos para fortalecer a barreira cutânea e a resposta imune, criando um ambiente sistêmico menos propício à infecção e mais eficiente na recuperação.

    6. Estratégias Terapêuticas (Continuação)

    b) Medicina Veterinária Integrativa e Funcional (Aprofundamento)

    Complementar à terapia convencional, a abordagem integrativa visa fortalecer a imunidade do paciente, otimizar a saúde da barreira cutânea e gerenciar o estresse, fatores cruciais para a recuperação e prevenção de recorrências. Como médico veterinário integrativo e funcional, o Dr. Claudio sugere, após exames e avaliações pessoais:

    Suporte Nutricional Otimizado: A dieta e a suplementação são pilares para a modulação da saúde dermatológica e imunológica.

    Ácidos Graxos Essenciais (Ômega-3: EPA e DHA):**

        A suplementação com EPA (ácido eicosapentaenoico) e DHA (ácido docosahexaenoico) é fundamental para suas propriedades anti-inflamatórias e para a manutenção da integridade da barreira cutânea. O mecanismo de ação primário dos ômega-3 reside na sua capacidade de competir com o ácido araquidônico (AA) pelas enzimas ciclooxigenase (COX) e lipoxigenase (LOX) na cascata do metabolismo dos eicosanoides. Ao serem incorporados nas membranas celulares, o EPA e o DHA resultam na produção de eicosanoides menos inflamatórios (prostaglandinas da série 3 e leucotrienos da série 5), em contraste com os mediadores altamente pró-inflamatórios (prostaglandinas da série 2 e leucotrienos da série 4) derivados do AA. Esta modulação anti-inflamatória é crucial para mitigar o eritema, o prurido e a inflamação associados às lesões fúngicas, promovendo um ambiente mais propício à cicatrização. Além disso, o EPA e o DHA desempenham um papel vital na composição da matriz lipídica intercelular da epiderme, contribuindo para a redução da perda transepidérmica de água (TEWL) e fortalecendo a função de barreira da pele, o que pode dificultar a invasão secundária por patógenos e otimizar a hidratação cutânea (Fadok, 2018; Scott et al., 2012).

     

    Probióticos e Prebióticos:

        A modulação da microbiota intestinal é um pilar da saúde integrativa, reconhecendo o conceito do "eixo intestino-pele". Probióticos (microrganismos vivos benéficos, como *Lactobacillus* e *Bifidobacterium*) e prebióticos (fibras fermentáveis que promovem o crescimento de bactérias benéficas) atuam sinergicamente para otimizar a saúde gastrointestinal. Um microbioma intestinal equilibrado é crucial para a competência imunológica sistêmica, pois grande parte do sistema linfoide associado ao intestino (GALT) reside nessa região. A produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs) pelas bactérias benéficas, por exemplo, tem efeitos imunomoduladores sistêmicos. A disbiose intestinal, por outro lado, pode levar à inflamação sistêmica e à manifestação de problemas dermatológicos. Ao promover um microbioma saudável, busca-se fortalecer a resposta imune inata e adaptativa do hospedeiro, potencialmente auxiliando na contenção da proliferação fúngica e na prevenção de infecções secundárias. Adicionalmente, a redução do estresse, que pode estar associada a um microbioma equilibrado, contribui indiretamente para a homeostase imune (Mueller et al., 2016; O'Neill et al., 2016).

     

    Antioxidantes (Vitaminas E, C, Selênio e Zinco):

        Os processos inflamatórios e infecciosos, como os observados na dermatofitose, geram um aumento na produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), que causam estresse oxidativo. Esse estresse pode danificar membranas celulares, proteínas e DNA, perpetuando a inflamação e comprometendo a cicatrização. A suplementação com antioxidantes visa neutralizar esses radicais livres.

       Vitamina E (tocoferóis): É um antioxidante lipossolúvel primário, protegendo as membranas celulares do dano oxidativo. Essencial para a integridade dos queratinócitos e a saúde epitelial.

        Vitamina C (ácido ascórbico): Antioxidante hidrossolúvel que regenera a vitamina E e é um cofator essencial na síntese de colágeno, fundamental para a reparação tecidual e cicatrização.

        Selênio: Componente chave da glutationa peroxidase, uma das enzimas antioxidantes mais importantes do corpo.

        Zinco: Cofator para inúmeras enzimas, incluindo a superóxido dismutase (SOD), outra enzima antioxidante crucial. Também desempenha um papel vital na proliferação celular, na diferenciação dos queratinócitos, na cicatrização de feridas e na função imunológica, modulando a resposta inflamatória (Scott et al., 2012; Watson, 2011).

     

      Vitaminas do Complexo B:

        As vitaminas do complexo B são hidrossolúveis e atuam como coenzimas em inúmeras reações metabólicas essenciais para a saúde celular, especialmente em tecidos com alta taxa de renovação, como a pele e os folículos pilosos.

          Biotina (B7): Crucial para a síntese de ácidos graxos, metabolismo de aminoácidos e gliconeogênese, sendo particularmente importante para a integridade da pele e a queratinização. A deficiência pode levar a pele seca, escamosa e má qualidade da pelagem.

        Piridoxina (B6): Envolvida no metabolismo de aminoácidos, essencial para a síntese de proteínas (incluindo queratina) e neurotransmissores.

        Riboflavina (B2), Niacina (B3), Ácido Pantotênico (B5): Essenciais para a produção de energia celular e manutenção da função de barreira da pele.

        A otimização desses nutrientes é fundamental para apoiar a estrutura e a função da pele e do pelo, que são os alvos primários da infecção dermatofítica, auxiliando na resistência e reparo tecidual (Scott ets al., 2012; Watson, 2011).

     

       Alimentos Funcionais:

    Dietas formuladas com nutrientes específicos para a saúde dermatológica, como as linhas Royal Canin® Hair and Skin para gatos e Royal Canin® Coat Care para cães, representam um componente valioso na abordagem integrativa. Embora não sejam tratamentos farmacológicos para a dermatofitose em si, esses alimentos são projetados para otimizar a saúde da pele e do pelo ao fornecerem perfis nutricionais que incluem:

     Proteínas de alta digestibilidade: Para a síntese adequada de queratina e outras proteínas estruturais da pele e do pelo.

        Aminoácidos específicos:** Como metionina e cisteína, precursores da queratina.

        Níveis otimizados de ácidos graxos (incluindo Ômega-3 e Ômega-6):** Para suporte à barreira cutânea e redução da inflamação.

        Concentrações elevadas de vitaminas do complexo B e antioxidantes:** Para suportar o metabolismo celular e proteger contra o estresse oxidativo.

        Essas formulações criam um ambiente nutricional ideal que complementa o tratamento específico, promovendo a recuperação da integridade cutânea e a qualidade da pelagem, e contribuindo para a resiliência geral do animal.

    • Fitoterapia e Suplementos (com Extrema Cautela em Felinos):
      • Cogumelos Medicinais (e.g., Reishi, Shiitake): Extratos padronizados de cogumelos são valiosos imunomoduladores devido à presença de beta-glucanos, polissacarídeos que interagem com o sistema imune inato, ativando macrófagos, células NK e linfócitos. Esta ativação pode fortalecer a resposta do hospedeiro contra patógenos, incluindo fungos, e auxiliar na recuperação e prevenção de recidivas (Wachtel-Galor et al., 2011; Vetvicka et al., 2013).
      • Astragalus (Astragalus membranaceus): Como adaptógeno e imunomodulador, o Astragalus pode ser considerado para suporte em pacientes imunocomprometidos ou estressados. Seus polissacarídeos e saponinas têm sido estudados por seus efeitos na proliferação de linfócitos e na produção de citocinas (Gao et al., 2002; McCaleb et al., 2000).
      • Uso Tópico Auxiliar:
        • Gel de Aloe vera puro: (sem látex e toxicidade por ingestão): Possui propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e emolientes. Pode ser usado topicamente para acalmar a pele irritada e auxiliar na regeneração tecidual, desde que o gato não tenha acesso para lambedura, devido à toxicidade por ingestão (Moriello, 2014; Shelton et al., 2009).
        • Calêndula (Calendula officinalis): Preparados tópicos à base de calêndula, livres de substâncias prejudiciais aos felinos, podem ser empregados por suas propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e cicatrizantes, auxiliando na recuperação das lesões cutâneas (Moriello, 2014; Parente et al., 2009).
        • Óleo de Coco Virgem: Em pequenas quantidades, o óleo de coco pode agir como um hidratante e emoliente para a pele e pelagem, além de auxiliar na remoção suave de crostas, contribuindo para o conforto do animal. Possui ácidos graxos de cadeia média, como o ácido láurico, que exibem alguma atividade antimicrobiana (DebMandal & Mandal, 2011).
    1. Prevenção e Recomendações aos Tutores (Continuação)

    Aprevenção da dermatofitose baseia-se em um conjunto de medidas que visam quebrar a cadeia de transmissão e fortalecer a resiliência do animal:

    Higiene Ambiental Rigorosa: A desinfecção do ambiente é fundamental para erradicar os esporos fúngicos, que podem permanecer viáveis por até 18 meses (Moriello, 2014).

    Limpeza mecânica (aspirar, esfregar) é o primeiro passo para remover pelos e escamas contaminadas.

    Desinfetantes Convencionais:** Produtos à base de amônia quaternária e hipoclorito de sódio (água sanitária 1:10) são comprovadamente eficazes contra os esporos de dermatófitos e são amplamente recomendados (Moriello, 2014; Scott et al., 2012).

    Desinfetantes Naturais/Alternativos Potenciais: Embora a pesquisa sobre a eficácia de "desinfetantes naturais" contra esporos fúngicos em ambientes veterinários ainda seja emergente e requeira validação rigorosa para garantir a segurança e eficácia, alguns agentes demonstram potencial:

    Ácido Hipocloroso (HOCl):Gerado por eletrólise de água e sal, é um oxidante potente, seguro para uso tópico em mamíferos em concentrações adequadas, com ampla atividade antimicrobiana, incluindo fungicida. Sua aplicação em ambientes pode ser uma alternativa promissora para sanitização, minimizando a toxicidade residual (Sakarya et al., 2014; Roman et al., 2021).

    Dióxido de Cloro (ClO): Um potente agente oxidante, utilizado em diversas indústrias como desinfetante e esporicida. Em concentrações apropriadas, pode ser eficaz na desinfecção ambiental contra fungos, incluindo esporos, e é menos corrosivo que o hipoclorito em algumas superfícies (Lestari et al., 2021). A segurança para aplicação em ambientes domésticos com animais deve ser criteriosamente avaliada e formulada.

    Ozônio (O):Gás oxidante com atividade antimicrobiana, incluindo fungicida. Utilizado para sanitização de ar e água. A eficácia ambiental depende da concentração e tempo de exposição, e deve-se garantir a ausência de animais e pessoas durante a aplicação devido à toxicidade por inalação (Oda et al., 2008; Zupancic et al., 2019).

    Ácidos Cítricos e Acético: Em concentrações específicas, ácidos como o cítrico e o acético (vinagre) podem ter alguma atividade antimicrobiana, incluindo antifúngica, e são considerados mais "naturais". No entanto, sua esporicidia e eficácia como desinfetantes ambientais primários contra dermatófitos são limitadas e não comparáveis aos agentes químicos estabelecidos para a desinfecção de ambientes contaminados por dermatófitos (Adams & Moss, 2008; Cortez-Rocha et al., 2009).

    Extratos de Plantas/Óleos Essenciais: Alguns óleos essenciais (ex: *Origanum vulgare*, *Thymus vulgaris*, *Melaleuca alternifolia* - óleo de melaleuca) demonstraram atividade antifúngica *in vitro* contra dermatófitos (Carson et al., 2002; Burt, 2004). No entanto, sua segurança para uso ambiental em presença de gatos é altamente questionável devido à sensibilidade felina a terpenos e fenóis, e a eficácia *in situ* contra esporos resistentes não é consistentemente comprovada para desinfecção primária. Não são recomendados como desinfetantes ambientais primários em áreas onde animais têm acesso.

    Para todos os desinfetantes, o contato e tempo de ação adequados são cruciais para a eficácia.

    • Manejo do Estresse: Promover um ambiente enriquecido, utilizar feromônios sintéticos e manter uma rotina previsível para reduzir o estresse, que pode comprometer a imunidade.
    • Controle Populacional e Isolamento: Evitar a superpopulação de animais e isolar animais recém-adquiridos ou suspeitos.
    • Cuidados com a Pelagem: Escovação regular para remover pelos soltos e descamações, especialmente em gatos de pelo longo.
    • Controle de Doenças Subjacentes: Diagnosticar e tratar condições imunossupressoras (e.g., FIV/FeLV, diabetes, alergias) que predispõem à infecção.
    • Controle Parasitário: Manter um programa de controle de ectoparasitas para prevenir lesões cutâneas que servem como porta de entrada.
    • Orientação Zoonótica: Educar os tutores sobre o potencial zoonótico da doença, a importância da higiene pessoal (lavagem de mãos, uso de luvas) e a necessidade de procurar atendimento médico para si mesmos em caso de lesões cutâneas.

    Em síntese, o manejo eficaz da dermatofitose em felinos e caninos exige uma abordagem multidisciplinar, que integra o diagnóstico preciso, o tratamento antifúngico convencional e estratégias complementares da medicina veterinária integrativa. A colaboração entre o veterinário e o tutor, aliada à rigorosa higiene ambiental, é fundamental para o sucesso terapêutico e a proteção da saúde pública.

    Referências:

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    • d ed. Boca Raton (FL): CRC Press/Taylor & Francis, 2011.

     

  • Dicas para seu Pet Engordar

    Petclube Sustentável: Orienta Criação com amor dos animais domésticos para companhia Facilitando a Preservação da Mata Atlântica com incremento no Lençol Freático e mitigação do Aquecimento Global.

    Dicas para seu Pet Engordar
     
    Dicas para Engordar

    O modelo tradicional de dieta natural  combina as diretrizes das duas principais modalidades de alimentação natural: a BARF e a Raw Meaty Bones. Nessas dietas não entram grãos cozidos. Se seu pet está comendo uma dieta composta por meaty bones, carnes desossadas, vegetais e suplementos e está mantendo o peso ideal sem dificuldades, evidentemente não é necessário aumentar os teores energéticos do cardápio.
    E em determinadas situações o acréscimo de fontes extras de calorias é interessantíssimo. Cães convalescentes, atletas, filhotes em fase de crescimento, fêmeas prenhes, lactantes e em fase de recuperação após o desmame possuem requerimentos nutricionais bastante elevados e podem perder peso sem um reforço na dieta.


    Observação importante: há pets que, mesmo sendo adultos não-prenhes pouco ativos ou sedentários, perdem peso e dificilmente atingem e mantêm o peso ideal. Esses animais precisam ser cuidadosamente examinados por um bom médico-veterinário, a fim de que afecções que levam ao emagrecimento (ex: verminoses, hipertireoidismo,  pancreatite, diabetes, tumores) sejam descartadas ou diagnosticadas e tratadas. Para esses casos, não adiantará aumentar as porções de comida ou oferecer alimentos mais calóricos.

     

    Aumento das porções
    Indicado para: filhotes de raças miniaturas e pequenas, e pets saudáveis moderadamente ativos com dificuldade de ganhar peso.


    Se você tentou aumentar a porcentagem e não observou aumento de peso dentro de duas semanas, coloque em prática algumas das dicas abaixo até acertar:

    * Aumente em 50% a quantidade ou animal (óleo de peixe) da dieta;
    * Se estiver oferecendo iogurte desnatado, passe a oferecer iogurte natural;
    * Ofereça regularmente carnes mais gordurosas, como carne bovina, suína e peito de frango contendo pele;
    * Cozinhe os legumes sem sal ou tempero, em vez de servi-los crus e liquidificados;
    * No lugar de legumes pouco calóricos (folhas verdes, pimentões, abobrinha, etc), ofereça tubérculos cozidos, como batatas com casca, mandioquinha, inhame e batata doce;
    * Mude as proporções da dieta para: 60% meaty bones (com pele), 10% carne desossada/miúdos, 10% vegetais e 20% carboidratos, como macarrão integral cozido, pão de forma integral, arroz de sushi, lentilha cozida, arroz integral ou branco cozido, quinua cozida, etc.
    * No intervalo entre as refeições ofereça pedaços de frutas (ou frutas inteiras no caso de cães maiores), como maçã, pêra, mamão, banana (com casca, se ele aceitar), figo e caqui. Só não se esqueça de retirar as sementes;
    * Institua uma refeição extra de mingau de aveia, cevada ou musli com uma colher de mel de abelhas ou melaço - não ofereça mel, açucar ou melaço caso o animal sofra de diabetes. Essa é uma dica nutritiva e interessante para filhotes e fêmeas prenhes (final de gestação) e lactantes, além de pets que por qualquer motivo, se recusam a se alimentar. A aveia é muito palatável e fornece minerais, energia, proteínas e fibras. Nossa filhote de Golden adora! Cozinho três colheres de sopa de aveia em flocos com 200 mL (metade leite desnatado, metade água filtrada), acrescento uma colher de sopa de mel, melaço ou açúcar orgânico ou mascavo, deixo esfriar e ofereço. Para não amolecer demais as fezes, sirvo o mingau junto com um pé de frango cru (ossos deixam as fezes mais firmes). Estávamos oferecendo o mingau diariamente, além das demais refeições dela. Agora que ela parece ter ganhado peso, serviremos a guloseima dia sim, dia não por um tempo, depois espaçaremos mais até retirarmos de vez.



    Não institua de uma vez todas as dicas sugeridas acima - em grande parte dos casos, bastam poucas modificações na dieta para engordar o pet. A obesidade em cães e gatos é muito mais problemática do que o subpeso, uma vez que predispõe os animais a diabetes, infertilidade, apatia, risco anestésico aumentado, pancreatite, males ósseos e articulares (como a displasia coxo femural). Hoje em dia grande parte dos pets apresenta algum grau de sobrepeso por comerem uma dieta hipercalórica. E o que é mais preocupante: os proprietários e até mesmo muitos médicos-veterinários parecem não se importar com isso.

    Quando passeio com meus cães e as pessoas nos param para acariciá-los, freqüentemente escuto que “estão muito magros”, “que preciso dar mais comida”, etc. Mas não é verdade. Meus cães estão no peso ideal. Como saber se seu pet está no peso ideal
    Muita gente acha que o grau de fome é um bom termômetro para avaliar subpeso, peso ideal e sobrepeso nos pets. Não poderiam estar mais equivocadas. Cães são glutões por natureza, dificilmente estão saciados e se pudessem comeriam literalmente até explodir (ou vomitar). É por isso que precisamos controlar as porções. Na natureza, os canídeos comumente traçam o que encontram pela frente, e isso inclui carcaças em estado avançado de apodrecimento. É uma questão de sobrevivência, já que a comida no ambiente selvagem não é certa nem abundante. Aparentemente, nossos “lobos domésticos” não perderam esse traço evolutivo e dependem que nosso bom senso regule sua ingestão diária de alimentos.

    Já os gatos, principalmente na presença de alimento comercial à vontade, comem “de pouquinho”, várias vezes ao dia. São verdadeiros degustadores. Tornam-se obesos devido à freqüência com que fazem essas boquinhas. Uma alimentação natural, entretanto, costuma enxugar as gordurinhas dos gatos e é fácil mantê-los no peso ideal. Caso emagreçam - e desde que estejam saudáveis - você pode experimentar as mesmas dicas sugeridas para cães. Quando queremos engordar nosso gato Persa, aumentamos as porções e acrescentamos mais gordura às suas dietas, na forma de carnes suínas e meaty bones de frango com pele, além de 10% de lentilha cozida ou mandioquinha cozida esmagada no jantar dele. Ele adora!

    Quais seriam, então, indicativos seguros de que um pet precisa engordar?
    A cobertura de gordura. É claro que fatores como raça a idade interferem nessa avaliação. Um cão da raça Whippet (um galgo), por exemplo, é naturalmente esbelto e atlético, apresentando uma discretíssima camada de gordura. Já os Buldogues e Pugs, com sua estrutura robusta típica, podem apresentar-se um pouco mais gordinhos. Para uma análise mais precisa, consulte o médico-veterinário, o criador de quem você comprou o animal ou livros sobre aquela raça. Mas nem precisa ir tão longe. Com bom senso é possível determinar o status corpóreo no olhômetro e no “apalpômetro”.

    Veja seu animal de cima. Você deve estar em pé e o pet com as quatro patas no chão, em posição de “stay” ou estação. Olhe para as costas do animal. Consegue detectar uma “cinturinha”, ainda que discreta, separando o tronco (tórax) da região traseira? Quanto mais pronunciada essa cintura, mais magro está o cão. Se nenhuma cintura foi detectada, é provável que seu animal esteja acima do peso. Em gatos isso é facilmente observado. Gatos esbeltos ou no peso ideal, quando vistos de cima, têm o aspecto de uma “lingüiça”. Já quando gordos ou obesos dão a impressão de estarem estufados, lembrando um balão.


    Observe o animal caminhando. Ele o faz com desenvoltura? Ou rebola (só vale para raças que não deveriam rebolar), revelando a dificuldade que ele tem de se movimentar? Em animais de pêlo curto, as costelas devem ficar sutilmente aparentes enquanto o animal se desloca. Sutilmente. Se der para contar uma a uma é sinal de magreza excessiva. Não consegue nem atestar a presença da caixa torácica? Seu animal pode estar acima do peso. Para ter certeza, palpe levemente a região das costelas. Consegue senti-las com uma leve pressão? Ótimo. Consegue contá-las, uma a uma, devido ao profundo sulco entre elas? Pode ser que seu animal precise de mais calorias. Mesmo apertando, você não conseguiu senti-las? É hora de começar um regime.

    O temperamento também fornece informações. Pets obesos são em geral prostrados, se cansam com facilidade e há tempos abandonaram atividades prazerosas, como caminhadas e corridas atrás da bolinha favorita.

    Dr. Cláudio Amichetti Junior: Veterinário Integrativo em São Paulo Brasil

    O Dr. Cláudio Amichetti Junior (CRMV-SP 75404 VT), médico veterinário integrativo com larga expertise em felinos os quais cria ha mais de 40 anos, é engenheiro agrônomo formado em 1985 pela UNESP EE Jaboticabal com o maior número de créditos possíveis na sua turma. Ele oferece atendimento especializado para pets em diversas localidades.

    PetClube, é um espaço holístico replantado em Mata Atlântica, localizado no Km 334 da Rodovia Régis Bittencourt, em Juquitiba/SP. É facilmente acessível para tutores de felinos, caes e gatos de São Paulo, Morumbi, Vila Olímpia, Moema, Pinheiros, Jardins, Alphaville, São Bernardo do Campo, Itapecirica da Serra e adjacências.

    Além de Juquitiba, o Dr. Amichetti atende presencialmente as regiões de Embu-Guaçu, Itapecirica da Serra, São Lourenço da Serra, Miracatu, São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul. Sua expertise abrange também bairros nobres de São Paulo como Vila Nova Conceição, Cidade Jardim, Jardim Paulistano, Ibirapuera, Lapa, Aclimação, Higienópolis, Itaim Bibi, Tatuapé e Mooca.

    Dr. Cláudio é pioneiro em um sistema sustentável com alimentação 100% natural (raw feeding) e ingredientes orgânicos cultivados em seu espaço holístico em Juquitiba / São Lourenço da Serra, garantindo dietas frescas e livre de agrotóxicos para seus pacientes. Ele é especialista em modulação intestinal, sistema endocanabinoide (Cannabis Medicinal)e nutrição natural, prevenindo obesidade, alergias e distúrbios metabólicos. Para quem não está na região, oferece telemedicina para todo o Brasil através da plataforma Booklim.com, garantindo que pets em qualquer lugar tenham acesso à sua abordagem integrativa.

    Para agendamentos ou mais informações, visite www.petclube.com.br ou entre em contato pelo WhatsApp (11) 99386-8744. Seu pet merece saúde natural, equilíbrio e longevidade sustentável.

  • PETCLUBE AMIGO Gatos Gigantes Gatos Mini e Medicina Veterinaria Três Décadas: Mais que Pets, Um Propósito de Vida

     PetClube: Um Legado de Amor, Vida Sustentável e Saúde Holística, Há Mais de Três Décadas

    Onde a Criação de Pets se Encontra com a Preservação da Mata Atlântica: A Visão Holística de Dr. Claudio Amichetti e Família.A Jornada de Três Décadas: Mais que Pets, Um Propósito de Vida

    Há mais de trinta anos, o PetClube transcendeu o conceito tradicional de criação. Nossa jornada, enraizada na Mata Atlântica, é uma história de amor, compromisso e profundo respeito pelo planeta e por todos os seres vivos. Não criamos apenas cães e gatos excepcionais; nós cultivamos a vida, a saúde integral e o vínculo inquebrável entre a família humana e seus companheiros de quatro patas.