🧬 “NÃO FOI DESCOBERTO E PESQUISADO COM EVIDENCIA CIENTIFICA O GENE DA DISPLASIA EM GATOS.”
**Então por que tanta gente fala como se existisse?**🐱🦴 DISPLASIA EM GATOS: CUIDADO COM AS CONCLUSÕES FÁCEIS!
Existe um “gene da displasia coxofemoral” em gatos?
❌ Não. Até o momento, não existe um gene causal da displasia coxofemoral felina mapeado e validado para uso diagnóstico ou seleção genética.
E isso precisa ficar muito claro na comunicação veterinária.
🔬 Um dos principais estudos sobre o tema acompanhou 5.038 Maine Coons, durante aproximadamente 20 anos, em um programa de triagem radiográfica.
O estudo encontrou herdabilidade de 0,36 e uma correlação genética entre displasia e massa corporal.
Mas atenção:
👉 Herdabilidade NÃO é mapeamento genético.
Ela indica que existe participação genética na variação observada da característica dentro daquela população.
Não significa que encontramos “o gene da displasia”.
Também não significa que podemos pegar genes identificados em cães e simplesmente aplicá-los aos gatos.
Um gato que recebe excesso de alimento, especialmente uma dieta comercial energeticamente excessiva, pode desenvolver sobrepeso ou obesidade.
E o excesso de peso aumenta a carga mecânica sobre as articulações.
Além disso, um ambiente pobre em enriquecimento ambiental, movimento, brincadeiras e oportunidades de atividade física pode favorecer sedentarismo, perda de condicionamento muscular e manutenção do excesso de peso.
🦴 Tudo isso pode influenciar a saúde musculoesquelética.
Mas precisamos separar:
GENÉTICA ≠ OBESIDADE ≠ CAUSA DIRETA DA DISPLASIA
São fatores que precisam ser estudados separadamente e também em conjunto.
Para afirmar quais genes estão envolvidos, seriam necessários estudos genômicos robustos, com:
🔬 análise de herdabilidade
🧬 estudos de associação genômica (GWAS)
🧬 identificação e validação de loci/cromossomos associados
🧬 replicação em diferentes populações e raças
🧬 validação independente dos marcadores encontrados
Sem isso, afirmar que determinado gene “causa” displasia em gatos é extrapolação, não evidência científica consolidada.
Enquanto o mapeamento genético felino ainda não existe, a avaliação radiográfica, a seleção criteriosa dos reprodutores, o controle adequado do peso e um manejo que estimule atividade física continuam sendo ferramentas importantes.
🐱 Criar gatos saudáveis não é simplesmente selecionar aparência.
É observar genética, conformação, peso corporal, função, comportamento, ambiente e saúde ao longo das gerações.
Como médico-veterinário, defendo uma regra simples:
Não podemos comunicar como fato aquilo que a ciência ainda não demonstrou.
med vet Claudio Amichetti Junior CRMV sp 75404
📚 Low M, Eksell P, Högström K, et al. Demography, heritability and genetic correlation of feline hip dysplasia and response to selection in a health screening programme. Scientific Reports. 2019;9:17164. DOI: 10.1038/s41598-019-53904-w.
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