Doença do Trato Urinário Inferior de Felinos (DTUIF)
“Síndrome Urológica Felina” (SUF)
Todos sabemos que é muito comum gatos apresentarem doenças urinárias. Porém, poucos sabem o que realmente são essas doenças e qual o manejo correto para preveni-las.
Primeiro, gostaria de ajudar a acabar com o “mito da ração Wiskas”: ela não causa a doença. O que aconteceu é que, antigamente, ela tinha outra fórmula que acabou predispondo alguns gatos a adoecerem. Porém, com os estudos avançados da medicina felina e de nutrição; há muito tempo, a ração foi reformulada. Convém saber que, como será explicado a seguir, para prevenir uma das causas da doença; deve-se usar ração que controle o pH urinário do gato. Existem várias rações no mercado para isso. Porém, também, existem várias rações que não o fazem. É sempre bom cuidar com rações muito baratas e avaliar custo-benifício.
O QUE É
O antigo termo “Síndrome Urológica Felina” (SUF) era usado para descrever a síndrome (conjunto de sintomas sem causa definida) de hematúria (sangue na urina) e disúria (esforço na hora de urinar), cuja causa não incluía infecção bacteriana, urolitíase (cálculo/pedra) ou neoplasia.
Hoje, o termo correto é Doença do Trato Urinário Inferior de Felinos (DTUIF) e inclui as doenças do trato urinário inferior de felinos (com causas conhecidas ou não). O rim não pertence ao trato inferior, mas sim; ao superior. Portanto, doenças renais específicas (como doença renal crônica; muito comum em gatos) não são DTUIF. Os órgãos que fazem parte do trato urinário inferior são a vesícula urinária (bexiga) e os canais por onde a urina passa até o exterior.
Doença do Trato Urinário Inferior de Felinos
DTUIF
Português
Feline Lower Urinary Tract Disease FLUTD Inglês
Antiga
Síndrome Urológica Felina
SUF
Português
Feline Urologic Syndrome
FUS
Inglês
A DTUIF pode ser agrupada em uma das três classificações principais, a seguir:
• Doenças inflamatórias
• Urolitíase (pedras ou cálculos)
• Uropatia obstrutiva (doença que leva à obstrução urinária)
SINTOMAS
Os principais sintomas (sinais clínicos) apresentados por um gato acometido por DTUIF, geralmente, incluem as seguintes situações:
• Uso mais freqüente de bandeja sanitária (caixa de areia); ou seja, aumento na micção (poliúria).
• Utilização de locais incomuns para urinar, diferentes daqueles em que está costumado (micção errática).
• Esforço na hora de urinar (disúria), resultando a eliminação de apenas um pouco de líquido (polaquiúria).
• Presença de sangue na urina (hematúria).
• Depressão, desidratação e falta de apetite (inapetência ou hiporexia).
• Ruídos vocais durante a micção.
• Lamber constantemente a região genital.
A DTUIF pode transformar-se em um sério problema de saúde, causando até a morte do animal. Quando a causa da DTUIF é obstrução, trata-se de uma EMERGÊNCIA!
CAUSAS
As causas da doença não são específicas e, muitas vezes, há vários fatores incluídos. Algumas causas conhecidas incluem:
• Inflamação das vias urinárias resultantes, ou não, de cristais/cálculos
• Agentes infecciosos (bacterianos ou virais)
• Neoplasias de bexiga e uretra
• Traumas
• Alterações neurogênicas
Entre os fatores predisponentes, encontram-se:
• Nutricionais
• Estresse
• Obesidade
• Falta de exercícios
• Pouca ingestão de água
É importante saber que a castração não causa a DTUIF. O que acontece, muitas vezes, é a obesidade, comum em animais castrados; predispor à doença. E mais, não é a castração que leva à obesidade, mas, sim, a falta de exercício físico e animais castrados tendem a se movimentar menos. Por isso, é muito importante que o dono do gato induza-o a se movimentar, com brincadeiras; por exemplo! Gatos castrados, também, necessitam de cuidados com a dieta e, atualmente, há muitas opções de rações pra isso. Portanto, não justifica deixar de castrar o gato para que ele não apresente DTUIF.
PREVENÇÃO
• Oferecer ração à vontade, sem horário pré-determinado (ver explicação abaixo).
• Fornecer bastante água fresca ao animal. Se o gato é acostumado a beber apenas água correte (da torneira), pode ser colocada uma fonte de água num local de fácil acesso para o gato.
• Manter a caixa de areia em local de fácil acesso, preferencialmente distante do pote de comida do gato (os gatos são muito higiênicos) e manter a caixa de areia sempre limpa. O ideal é ter, em média, duas caixas de areia por gato.
• Estimular o animal a exercitar-se.
• Minimizar o estresse.
• Evitar obesidade.
• Visitar regularmente o veterinário. Principalmente, se o gato já apresentou DTUIF alguma vez, é importante fazer o acompanhamento através de exame de urina (principalmente, pH urinário).
TRATAMENTO
Quando for observado qualquer sintoma descrito anteriormente, o gato deve ser levado ao médico veterinário imediatamente (principalmente quando se tratar de obstrução).
A conduta irá variar de acordo com o diagnóstico.
Os exames complementares a serem realizados incluem: exame de urina (urinálise), de sangue, Rx e ecografia (alguns cálculos não são visualizados no Rx e necessitam de ultrassom).
Animal obstruído deve ser desobstruído pelo médico veteriário o quanto antes, sendo indispensável a correção de eletrólitos (desidratação) através de fluidoterapia (soro). Pod ser necessário sonda de espera (o animal fica sondado por mais de um dia).
Medicamentos como antibióticos e anti-inflamatórios também podem ser necessários.
Caso o gato seja sondado (sedado), assim que ele estiver melhor da sedação e de seu estado geral, ele deve voltar a comer. Caso isso não ocorra, é importante fazer alimentação forçada para não induzir à lipidose hepática (ver artigo sobre lipidose).
Pode ser necessário cirurgia, como em tumor ou recidivas de cálculos/tampões que não respondem ao manejo correto (alimentação corrigida e outros indicados pelo veterinário).
MAIS SOBRE A DTUIF
• Doenças inflamatórias
As doenças inflamatórias com causas desconhecidas (idiopáticas) são bastante comuns em gatos e, muitas vezes, estão relacionadas ao estresse. Atualmente, a cistite intersticial é bastante comum na clínica de felinos. É importante levar o gato ao veterinário para o tratamento devido e auxílio para descoberta de uma possível causa de estresse. O animal pode melhorar espontaneamente em cinco a sete dias, mas pode ressurgir após períodos variáveis; portanto, é muito importante o acompanhamento veterinário. As doenças inflamatórias com causas conhecidas incluem as bacterianas, as virais e àquelas causadas por cálculos e/ou cristais, os quais provocam irritação das mucosas da bexiga e da uretra.
• Urolitíase (cálculos) e Uropatia obstrutiva (tampões uretrais)
Urólitos (ou cálculos ou pedras) são concentrações policristalinas compostas primariamente de minerais, enquanto tampões uretrais são mais comumente compostos de grandes quantidades de matriz misturadas com minerais, apesar de alguns serem compostos primariamente de matriz. Os cálculos, geralmente, ocorrem na bexiga e variam de tamanho desde partículas arenosas a pequenas pedras. Ambos podem levar à obstrução urinária (interrupção do fluxo urinário) seja de forma parcial (urina em gotas) ou total (não urina). Neste último caso, o animal pode ir a óbito rapidamente, visto que as toxinas da urina são reabsorvidas pelo organismo. É EMERGÊNICA (deve ser levado imediatamente ao veterinário para desobstruir)! Porém, a obstrução parcial também é emergência, pois a qualquer momento ela pode se tornar total. E, mesmo que isso não ocorra, o baixo fluxo de urina favorece à reabsorção de resíduos tóxicos presentes na urina. A obstrução uretral é mais comum no macho, devido à conformação da uretra (canal que vai da bexiga até o pênis e leva a urina para o exterior), que é fina e estreita.
Urólitos de uma variedade de composição química têm sido encontrados em gatos. Os mais comuns são de estruvita e oxalato de cálcio.
• Mais comuns em gatos jovens
• Formados em urina com pH alto (alcalino)
• Existem rações específicas para acidificar a urina e evitar recidiva (nova formação de cálculo ou tampão)
Oxalato de cálcio
Oxalato de cálcio removidos de uma bexiga
• Mais comuns em gatos mais velhos.
• Formados em urina com pH baixo (ácido)
• Existem rações específicas que auxiliam para alcalinizar a urina (dietas que promovem a redução de urina subsaturada com oxalato de cálcio)
O pH da urina do gato costuma variar de 5,5 a 8,0. A manutenção de um pH acima de 6,5 por longos períodos favorece a formação dos cristais de estruvita, devido à precipitação dos cristais de magnésio. Portanto a urina ácida evita a formação dos cristais de estruvita. Após uma boa alimentação, os gatos tendem a ter um fluxo urinário alcalino. Isso significa que, logo em seguida à ingestão de alimentos, o pH da urina do animais aumenta para o básico, retornando horas depois para o pH ácido. Quando os animais se alimentam espontaneamente ao longo do dia, ou seja, sem horários pré-determinados, o fluxo urinário alcalino é minimizado. Prevenindo, assim, a formação de estruvita. É importante fazer o exame de urina para avaliar pH freqüentemente, pois pode acontecer de acidificar muito a urina, favorecendo a formação do oxalato de cálcio.
Observação: Gatos machos que apresentam grande recidiva (retorno) de obstrução urinária por tampões, apesar do manejo alimentar específico, são candidatos a cirurgia (uretrostomia perineal).
Resumindo, a DTUIF inclui:
1. Doenças obstrutivas (uropatias obstrutivas): cálculo (urolitíase), tampões, neoplasias, estenoses uretrais (alteração anatômica)
2. Doenças não obstrutivas (uropatias não obstrutivas):
• Doenças inflamatórias (uropatias inflamatórias) da bexiga ou da uretra: sem ou com causas conhecida: infecciosa (bactérias, vírus), neoplásica
• Urolitíase/tampão não obstrutivos (como nas fêmeas, principalmente)
Os fatores para prevençãoo são muito importantes, principalmente a ingestão de água.
A alteração na alimentação deve ser orientada pelo médico veterinário, bem como o acompanhamento através de exames de urina.
E nunca é demais falar: obstrução urinária (total ou parcial) é emergência!!
Excelente ponto, Claudio! Ampliar o escopo das condições tratáveis pode, de fato, atrair mais tutores em busca de soluções integrativas.
Aqui está o texto revisado, destacando os distúrbios que podem ser abordados com sua expertise:
Dr. Cláudio Amichetti Junior: Veterinário Integrativo em São Paulo e Além
O Dr. Cláudio Amichetti Junior (CRMV-SP 75404 VT), médico veterinário integrativo, criador de felinos de raça e cães de guarda, e com mais de 30 anos como CEO do PetClube, é engenheiro agrônomo formado em 1985 pela UNESP EE Jaboticabal com o maior número de créditos possíveis em sua turma. Ele oferece atendimento especializado para pets em diversas localidades.
Seu espaço holístico e meditativo, PetClube, está localizado no Km 334 da Rodovia Régis Bittencourt, em Juquitiba/SP. É facilmente acessível para tutores de São Paulo, Morumbi, Vila Olímpia, Moema, Pinheiros, Jardins, Alphaville, São Bernardo do Campo, Itapecirica da Serra e adjacências.
Além de Juquitiba, o Dr. Amichetti atende presencialmente as regiões de Embu-Guaçu, Itapecirica da Serra, São Lourenço da Serra, Miracatu, São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul. Sua expertise abrange também bairros nobres de São Paulo como Vila Nova Conceição, Cidade Jardim, Jardim Paulistano, Ibirapuera, Lapa, Aclimação, Higienópolis, Itaim Bibi, Tatuapé e Mooca.
Dr. Cláudio é pioneiro em um sistema sustentável com alimentação 100% natural (raw feeding) e ingredientes orgânicos cultivados em seu espaço holístico em Juquitiba / São Lourenço da Serra, garantindo dietas frescas e livre de agrotóxicos para seus pacientes. Ele é especialista em modulação intestinal, sistema endocanabinoide e nutrição natural.
Com essa abordagem integrativa, o Dr. Cláudio auxilia no tratamento e prevenção de uma ampla gama de problemas de saúde, incluindo:
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- Alergias e Problemas de Pele: Soluciona alergias alimentares e ambientais que se manifestam em problemas de pele e pelagem, otites e coceiras incessantes.
- Condições Metabólicas: Previne e gerencia obesidade, diabetes, problemas renais e hepáticos, promovendo o equilíbrio do metabolismo.
- Dor e Inflamação: O uso de cannabis medicinal (sistema endocanabinoide), junto com outras terapias integrativas, oferece alívio para dor crônica, osteoartrite, artrite, e condições inflamatórias diversas.
- Ansiedade e Comportamento: Ajuda pets com ansiedade, estresse, fobias, convulsões e outros distúrbios comportamentais, buscando o equilíbrio neurológico e emocional.
- Suporte Oncológico: Oferece suporte complementar para pacientes oncológicos, melhorando a qualidade de vida e minimizando efeitos colaterais de tratamentos convencionais.
Para quem não está na região, oferece telemedicina para todo o Brasil com acompanhamento de médico veterinário, utilizando as plataformas Zoom e Google. É importante ressaltar que a primeira consulta deve ocorrer na presença de um médico veterinário local, garantindo que pets em qualquer lugar tenham acesso à sua abordagem integrativa.
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